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O consumidor começou a sentir algum alívio nos preços de combustíveis nas últimas semanas, em boa medida por causa da redução dos preços do etanol hidratado (que abastece diretamente os tanques) e também do efeito do etanol anidro no preço da gasolina – antes, inclusive, de a Petrobras reduzir a gasolina A (pura) nas refinarias.

Desde meados de novembro, os preços dos dois biocombustíveis passaram a cair para os produtores, com reflexos nas bombas mais recentemente. O movimento contraria a tendência desta época do ano, que é justamente de alta dos preços por causa do início da entressafra de cana.

Em São Paulo, que abriga o maior mercado consumidor do país, o preço do etanol hidratado cai há quatro semanas, assim como o da gasolina, embora em menor proporção. Na semana encerrada no dia 18, o renovável caiu abaixo de R$ 5 o litro na média dos postos paulistas, e a correlação com a gasolina voltou a ceder, para 78%. Quatro semanas atrás, essa relação era de 82%.

Os preços dos combustíveis já estão em queda nas bombas na maior dos Estados brasileiros no último mês. Apenas na última semana, o etanol hidratado recuou em 20 Estados e a gasolina, em 22.

O recuo dos preços do etanol está relacionado a diversos fatores, segundo Martinho Ono, diretor da SCA Trading. Um deles é a surpresa dos agentes do mercado com a extensão da moagem de cana no Centro-Sul um pouco além do que se esperava.

A seca histórica que atingiu os canaviais gerou um pessimismo generalizado com a safra 2021/22. Porém, a moagem superou expectativas na reta final, segundo o analista, e até o fim de novembro bateu as 520 milhões de toneladas de cana no Centro-Sul, de acordo com o último levantamento da União das Indústrias de Canade-Açúcar (Unica).

Outro fator é a queda do consumo de combustíveis do ciclo Otto (gasolina e etanol), que contrariou expectativas dos produtores e distribuidores.

O terceiro fator está relacionado à dinâmica entre os dois combustíveis. Segundo Ono, o preço do renovável subiu muito em novembro para ajustar a demanda à baixa oferta. Porém, quando os preços passaram de R$ 5 o litro na bomba do Sudeste e a correlação do etanol com a gasolina alcançou 82% (bem acima dos 70% de “paridade” histórica), houve uma migração muito mais agressiva que o esperado do consumidor para a gasolina, e os agentes tiveram que se reorientar para recuperar mercado.

Dados preliminares divulgados pelo Ministério de Minas e Energia (MME) indicam que as vendas de etanol hidratado em novembro (até o dia 28) caíram 48,4% na comparação anual, enquanto as vendas de gasolina cresceram 6,8%. Já em outubro, as vendas haviam caído 5%, de acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em meio aos altos preços nas bombas e o baixo poder de compra da população.

Durante cinco semanas, o indicador Cepea/Esalq para o etanol hidratado vendido pelas usinas paulistas acumulou desvalorização de 15%, chegando a R$ 3,3202 o litro na semana de 6 a 10 de dezembro. Já na última semana, os preços aos produtores passaram por uma acomodação e tiveram uma leve alta, de 1,1%. Os valores ainda são historicamente elevados, próximos aos patamares do início de outubro, mas já começaram a oferecer um alívio aos consumidores.

Já a leve alta recente dos preços também foi motivada em parte pelas compras mais aquecidas das distribuidoras para o fim do ano, segundo João Moura, analista da consultoria StoneX.

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