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Os preços elevados de açúcaretanol e energia impulsionaram os resultados da São Martinho no primeiro trimestre desta safra 2021/22, ofuscando os efeitos da quebra de safra. O lucro líquido do trimestre cresceu 64%, para R$ 190,1 milhões, e o lucro caixa alcançou R$ 238,4 milhões – resultados recorde, se comparados aos trimestres anteriores sem efeitos não recorrentes.

Tanto as vendas de açúcar e etanol como as de energia cogerada do bagaço geraram receitas maiores no trimestre, resultando em uma receita líquida total de R$ 1,321 bilhão, em alta de 28,8%, e um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado de R$ 688,3 milhões, aumento de 40%.

“O lucro no primeiro trimestre sempre foi o mais fraco [numa safra], e desta vez já batemos recorde mesmo com o desafio das geadas”, disse Fabio Venturelli, CEO da companhia, ao Valor.

O faturamento com açúcar aumentou 9,3%, puxado pela alta de 28,3% nos preços realizados no período. A maior parte das vendas já estava com valores fixados anteriormente no mercado futuro, e o preço médio alcançou R$ 1.656,20 por tonelada.

Segundo Felipe Vicchiato, diretor financeiro e de relações com investidores da empresa, como os preços do primeiro trimestre costumam ser menores, “temos uma tendência crescente nos próximos trimestres”.

Os preços realizados no mercado de etanol também asseguraram um aumento de 58,7% nas vendas, para R$ 569,4 milhões. O valor médio alcançou R$ 2.916 o metro cúbico, alta de 84,7% ante igual trimestre da safra passada – quando o mercado de combustíveis foi pressionado pelo início da pandemia.

Os números da produção, porém, indicam que a companhia também está sofrendo com a longa seca que atinge o Centro-Sul desde o ano passado. A produtividade das lavouras caiu 15% e a moagem no trimestre recuou 13%, a 8,7 milhões de toneladas, enquanto a concentração de sacarose só aumentou 2,9%. Vicchiato ressaltou que, um ano atrás, a moagem começou antes, o que reforçou a base de comparação dos volumes.

As geadas também atingiram as lavouras, mas em menor grau por causa de medidas adotadas para reduzir os danos. Uma delas foi a estratégia de mapear as áreas historicamente mais afetadas por geadas e planejar um ciclo de produção que garantisse a colheita antecipada.

Outra foi proteger o viveiro de mudas, assegurando a elas uma temperatura 5ºC acima das mínimas registradas. Por isso, a companhia ainda mantém sua estimativa inicial de moagem para esta safra de 20,5 milhões de toneladas – 8,9% a menos que na safra passada.

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