A São Martinho considera que os preços do açúcar bruto, atualmente próximos de mínimas de cinco anos na bolsa de Nova York, deverão reagir ao longo da safra 2026/27 do Centro-Sul do Brasil, à medida que a oferta do adoçante será menor com uma maior destinação de cana-de-açúcar para a produção de etanol.
Segundo o diretor financeiro e de relações com investidores do grupo, Felipe Vicchiato, é mais vantajoso produzir o combustível do que o adoçante neste momento, o que levará a uma safra mais alcooleira na região Centro-Sul.
O etanol hidratado está pagando entre 18% e 20% mais do que açúcar, em termos equivalentes, disse ele nesta terça-feira, 10, durante teleconferência para comentar os resultados trimestrais da companhia, que reportou um lucro de R$ 424,1 milhões.
Mas, à medida que a oferta de açúcar caia na maior região produtora do mundo, os preços do adoçante devem reagir, permitindo que a São Martinho volte a fixar preços.
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“A gente entende que os preços devem reagir, e eles reagindo, a gente acelera (as vendas). Fazer o hedge agora com 14 (centavos de dólar por libra-peso) não tem muito sentido”, disse o executivo, citando o patamar de preços na bolsa de Nova York.
Ele também comentou que seria preciso acompanhar a safra da Índia, verificando se realmente virá mais exportação do país asiático e o impacto disso para o mercado global do açúcar.
A São Martinho havia feito hedge para cerca de 300 mil toneladas de açúcar na safra 2026/27, com base em dados de 31 de dezembro de 2025, ou cerca de 30% da produção, considerando um mix de produção mínimo para açúcar, disse o diretor.
Enquanto isso, segundo o executivo, a companhia vai focar nas vendas de seus estoques de etanol neste trimestre, até porque considera que poderá haver pressão sobre os preços a partir do início da próxima safra do centro-sul, em abril.
Os resultados da São Martinho foram impactados no trimestre anterior por vendas menores de etanol justamente porque a companhia aguardou para realizar a comercialização agora, uma estratégia que está se mostrando adequada, disse o diretor.
Na próxima safra, o maior volume de etanol será um “desafio constante” para os preços, como foi em 2025, já que houve maior oferta de etanol de milho, disse Vicchiato. Contudo, ele destacou que a demanda forte sustentou os preços do biocombustível.
Safra melhor
O diretor trabalha com a expectativa de um aumento na safra de cana da São Martinho e, também, no Centro-Sul brasileiro, o que deverá ajudar a diluir custos do açúcar e etanol, disse ele.
Essa diluição ajudaria a companhia a enfrentar a conjuntura de preços baixos do açúcar, que estão fora da “razoabilidade, abaixo do custo caixa de muitas usinas”.
“Assumindo que tenhamos produtividade melhor no ano que vem, esperamos diluição do custo unitário bastante relevante”, afirmou ele, que acrescentou que isso poderia chegar a uma redução de até 15%.
“As chuvas de verão foram boas nas regiões onde estamos localizados”, disse ele, referindo-se às precipitações de janeiro e fevereiro.
Reuters| Roberto Samora