Setor de cana dependerá muito do clima para triunfar na safra atual

A perspectiva para a safra de cana-de-açúcar que se iniciou neste mês no Centro-Sul do País ainda é uma incógnita. Isso porque seu desempenho dependerá de uma série de fatores que vão desde os desdobramentos do coronavírus e guerra nos preços do petróleo, protagonizada por Arábia Saudita e Rússia, até as condições climáticas.

Quanto ao clima, de acordo com Luiz Carlos Correa Carvalho, diretor da consultoria Canaplan, o período de maior atenção, segundo Carvalho, são os meses de abril e maio, que costumam indicar qual será o andamento da safra de cana.

Para a consultoria, no momento atual, a tendência, é de que a produção seja igual ou melhor do que a da safra 2019/20. Todavia, se o clima ajudar, Carvalho afirma que pode ser até melhor. Mas se as condições forem muito ruins, não se descarta a possibilidade de que a produção seja inferior ao ano-safra anterior.

Momento atual 

Alheios ao controle do setor, fatores externos tem tirado o sono de todos do meio. Isso porque, juntamente com o de flores, o sucroenergético é o setor que mais foi afetado no agro.

“A forte queda na demanda por causa do período de isolamento social como forma de prevenção contra a doença atingiu em cheio as empresas produtoras de etanol”, afirma o diretor da Canaplan. Destaca-se que, ao mesmo tempo, as disputas internacionais derrubaram os preços do petróleo, que influencia na competitividade do biocombustível.

“Estamos vivendo um momento muito ruim, com preços muito baixos, tanto de açúcar quanto de etanol, e justamente no início da safra. Isso faz com que os produtores já iniciem a temporada sob forte tensão”, disse Carvalho.

Outro fator que complica o planejamento estratégico na conjuntura é o alto índice de perecibilidade da cana que, após ser colhida, precisa ser processada o mais rápido possível, segundo o diretor. “A cana precisa ser processada e a safra vai ter que acontecer com a realidade econômica que estiver”, ressaltou.

Nesse contexto, a Canaplan, assim como outros especialistas, defendem a importância de uma articulação com o governo. O intuito disso é busca de alternativas que possam melhorar as perspectivas dos produtores.

Como medidas iniciais, tem-se falado em um mecanismo de liberação de crédito para aumentar a capacidade de armazenagem do etanol. Além disso, comenta-se a flexibilização na cobrança do PIS/Cofins e de aumento na alíquota da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre a gasolina.