Warrantagem e Cide podem ser a saída para o setor sucroenergético, diz Roberto Rodrigues

Por Natália Cherubin

Diante da crise que o setor canavieiro deverá enfrentar nos próximos meses por conta da queda da demanda e dos preços do etanol, algumas medidas paliativas já vêm sendo estudadas pelo Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e deverão ser discutidas junto ao Governo Federal.

Dentre as medidas em discussão, temos a volta da Cide, a redução do pis/Cofins e a chamada warrantagem, que seria um subsídio pago para a estocagem de etanol.

Roberto Rodrigues, coordenador do Centro de Agronegócios da FGV (Fundação Getúlio Vargas) e ex-ministro da Agricultura, em entrevista exclusiva à RPanews, disse que dentre as possibilidades acredita que a warrantagem deva ser a medida que o Governo irá optar, mesmo que demande mais tempo, por conta de burocracias.

“Acho que o mais fácil para o governo é a warrantagem porque não é inflacionário, como é o caso da Cide. No entanto, a Cide seria a ação mais rápida porque é injeção na veia, é uma taxa sobre a gasolina instantânea. Ela é mais rápida. Mas, ao meu ver, os dois precisavam ser aplicados juntos. A warrantagem dá o alivio na estocagem e a Cide melhora o consumo”, afirma.

O Brasil tem uma oportunidade inédita de dar um novo salto de produtividade agrícola graças ao incremento de 20% projetado para a demanda global de alimentos em 10 anos. No entanto, para isso precisa uma estratégia nacional integrada, que ainda precisa ser construída.
Para Rodrigues, a warrantagem é a medida que mais tem chance de ser aplicada pelo Governo (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

Apesar de acreditar que o Governo opte pela warrantagem, Rodrigues acha que o problema é o tempo. Existe, de acordo com ele, uma burocracia muito grande na área financeira do Governo.

“A agricultura é determinada pelos prazos fixos da natureza. A hora de colher é agora e a área financeira não sabe que a natureza é quem impõe as regras da agricultura. Mas a ministra Tereza Cristina conhece muito do assunto e está trabalhando junto ao setor privado para que essa burocracia não seja o fator impeditivo de agilidade da solução.  Espero que com o trabalho dela, junto com os órgãos de governo, as coisas avancem mais rapidamente”, afirmou à RPAnews.

Medidas paliativas não salvarão unidades com dificuldades

Em entrevista ele destacou, porém, que as medidas não vão salvar a parte do setor que vem se arrastando de crises anteriores.

“Uma crise dessa natureza é muito profunda, então estas medidas não devem salvar unidades que estão mal. Além disso, unidades industriais que não tem capacidade de estocagem da sua produção podem não ter o benefício esperado, porque não terão capacidade para estocar o necessário. Mesmo assim, o financiamento é uma ponte entre esse momento e o futuro”, disse.

Durante a reunião do Cosag (Conselho Superior do Agronegócio), que ocorreu esta semana, Rodrigues, ao discutir a warrantagem, pediu que a ministra da agricultura considere o produtor de cana nesta cadeia. “Propus que a warrantagem só fosse dada as usinas que tivessem em dia com o pagamento dos fornecedores de cana, de modo que eles não sejam prejudicados nesse processo.”

Além de isentar o produtor do Pis/Cofins apenas durante o período da crise, Rodrigues também vê como alternativa de ajuda do governo, as linhas de crédito para realizar a safra ou mesmo para o plantio de cana , desde que com prazo longo, visto que a cana-de-açúcar é uma cultura semi-permanente.