Como sobreviver a crise: executivos das maiores companhias do setor canavieiro dão dicas

As duas maiores dificuldades para muitas unidades do setor sucroenergético neste momento em que ultrapassam duas crises que impactam radicalmente o consumo e o preço do etanol no mercado – pandemia do Coronavírus e queda do preço do petróleo no mercado internacional – são cumprir a safra 2020/21 e sobreviver após 2020.

Os três executivos de grandes grupos sucroenergéticos do setor, a pedido do consultor da MB Agro, Alexandre Figliolino, que participou da Webinar realizada pela XP Investimentos na última segunda, 06, deram dicas de como agir neste  momento de crise. Veja o que cada executivo disse:

 

Fábio Venturelli, presidente da São Martinho

 

 

“Para quem esta menos estruturado e buscando sobreviver nesse momento, a primeira coisa é trazer o time das pessoas que você confia e os representantes de todas as áreas para aumentar o diálogo. Precisaremos de ter muita conversa, muita interação.
Vejo muitas empresas que se atrapalham na gestão interna. Na comunicação interna de como se estruturar para enfrentar um momento como esse. Uma vez que você consegue estabelecer esse canal interno de comunicação e diálogo, aí é partir para as frentes relevantes, tanto na sua área de suprimentos, ou seja, aquilo que você vai comprar, como na sua cadeia de clientes, onde é preciso preservar o relacionamento.
Foque nos seus empregados, foque no seu core. Olhe o caixa com disciplina e uma paixão como nunca antes foi visto. Reforce as parcerias que vocês tem nas duas fontes e procure estabelecer uma gestão com muita transparência, mas muito diálogo porque através das pessoas, de uma forma impressionante , superar estes tipos de desafios acabam acontecendo. Via de regra, as empresas que superam vão chegar do outro lado fortalecidas.
É um olho muito grande no caixa, relacionamento com as pessoas e manter a operação. É uma máxima que nossos heróis do campo, como uma indústria essencial, precisam da gente que os coordene e os lidere para dar as condições necessárias para que essa grande engrenagem não pare.

 

Ricardo Mussa, CEO da Raízen

 

 

“Nessa hora, o mercado está com uma volatilidade muito grande. Gestão Risco, principalmente para a nossa Companhia, é fundamental nessa hora. Tem que tomar muito cuidado para não fazer uma aposta ou se fechar em um ponto só. Neste momento tem muita gente com visão diferente dando pitaco. O importante é não descartar nenhum cenário.
É importante montar a frente alguns cenários, a, b, cenário de estresse, e analisar como a companhia performa no cenário de estresse e olha para o caixa. No meio de tanta volatilidade tem que ter muita disciplina na gestão de risco e mesmo sendo organizado, parar agora e desenhar cenários e considerar um cenário de estresse é importante. Não adianta torcer apenas para que daqui um mês saiamos desta situação. E se não sair? Qual é o cenário que você está preparado? Então não adianta ficar na torcida. É preciso fazer a gestão de risco agora.”

Carlos Eduardo Santos, CEO da CMAA

 

“Dentro da companhia existe um comitê de risco que se reúne uma vez por semana. A gente trouxe uma experiência da Indonésia, através de uma empresa que faz a gestão de risco e que trouxe essa cultura para dentro da CMAA desde 2014, e, desde o começo da crise, a pedido do nosso presidente do Conselho, a gente passou a ter reuniões semanais.
Nunca é tarde para começar a gerenciar riscos. Tentem se organizarem, tentem colocar pessoas em sintonia, afinal, ter clareza nas discussões é fundamental. Eu venho diariamente na companhia para acompanhar os trabalhos e o comitê. Outra coisa importante é olhar para o caixa.”