Home Sem categoria México pode negociar tarifa zero a agrícolas do Brasil
Sem categoria

México pode negociar tarifa zero a agrícolas do Brasil

Compartilhar

O México poderá reduzir a zero tarifas para certas importações agrícolas de interesse do Brasil e da Argentina, mas "não será grátis", declarou o subsecretário de Comércio Exterior mexicano, Juan Carlos Baker, em entrevista ao Valor. Ele sugeriu indiretamente uma barganha entre interesses exportadores dos dois países e mais acesso nesses mercados para autopeças e automóveis mexicanos.

Durante exame da política comercial do México pelos outros 163 países-membros, na Organização Mundial do Comércio (OMC), Baker afirmou que o México não renunciará a uma política comercial mais aberta por causa de ameaças – visivelmente em referência à retórica protecionista do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de sobretaxar produtos mexicanos.

"O México vê o futuro e não o passado", disse. Recentemente, em entrevista ao jornal britânico "Financial Times", Baker sinalizou que o México, o maior comprador mundial de milho dos EUA, estava considerando oferecer acesso livre de alíquotas ao grão brasileiro e argentino como uma alternativa às importações americanas.

Na OMC, o México destacou como crucial ter relações "estreitas e prósperas" com os EUA e o Canadá, que representaram 81% das exportações e 53% das importações em 2016.

Ao mesmo tempo, relatou que acertou com o Brasil ampliar e aprofundar o acordo de complementaridade economica (ACE 53) no acesso ao mercado e para incorporar novos capítulos, afim de reforçar comércio de serviços, comércio eletrônico e facilitação de trocas.

Com a Argentina, a ideia é ampliar o ACE 6, também para diversificar o comércio bilateral e consolidar cadeias de valor entre os dois países. Ao Valor, Baker informou que as discussões para ampliar esses acordos devem continuar em abril com a Argentina e em junho com o Brasil. "Sabemos que tanto a Argentina quanto o Brasil podem ser fonte importante de fornecimento."

O subsecretário negou que a proposta do México seja incluir apenas 2.500 produtos a mais no acordo enquanto o Brasil desejaria incluir o dobro. "Estamos num processo aberto, preparando nossa lista de interesses. Cada um vai dizer o que quer e o ponto do meio vai ser o acordo", afirmou.

Ele ressalvou, no entanto, que "é preciso ter em mente que parte importante do comércio México-Brasil se dá no setor automotivo, que não é objeto do acordo ACE 53. Se o Brasil e o México forem ambiciosos, tem que ser de maneira horizontal e incluir a parte automotiva".

Baker insistiu que "se queremos falar de incluir mais fatias [de produtos], incluímos a parte automotiva e está tudo pronto". Indagado sobre quando o governo mexicano efetivamente baixaria tarifas de importação para produtos agrícolas dos dois países, o subsecretário disse que "essa é uma possibilidade, porque estamos negociando. Não é uma garantia, e não vai ser grátis. Mas há uma possibilidade de reduzir tarifas, isso é claro".

O acordo específico que regula o comércio automotivo entre Brasil e México foi renovado em 2015. Prevê que cada país exporte para o outro até US$ 1,56 bilhão, sem o pagamento de alíquota de importação. Essa cota sobe 3% a cada ano. O acordo tem validade até 2019.

Em sua intervenção no exame da política comercial mexicana, o embaixador do Brasil junto à OMC, Evandro Didonet, destacou que o Brasil está comprometido a trabalhar com o México para reforçar vínculos econômicos. Os fluxos comerciais não estão em linha com o tamanho da economia dos dois países. Depois de um pico de US$ 10 bilhões, o comércio bilateral caiu para US$ 7,3 bilhões em 2016.

Para o Brasil, os atuais esforços para impulsionar as taxas de crescimento na duas economias e as negociações em curso visando expandir o acordo preferencial de comércio vão levar a fluxos bilaterais de comércio mais robustos no futuro próximo. O Brasil destacou que valoriza a diversificação na composição do fluxo bilateral, incluindo commodities e produtos industriais, assim como o nível da integração da cadeia de suprimento, como no setor automotivo.

O representante brasileiro reconheceu o fato de o México ter reduzido as tarifas aplicadas nas importações nos últimos três anos, mas notou que as alíquotas de importação agrícola continuam ainda bem mais altas do que as industriais. A tarifa média de proteção para produtos agrícolas caiu de 20,9% em 2012 para 14,3% em 2016. A alíquota agrícola mais alta baixou de 254% para 100%.

Como grande exportador agrícola, o Brasil manifestou preocupações com medidas sanitárias e fitossanitárias adotadas pelo México, incluindo a falta de prazo para resolver casos que duram muito tempo.

A avaliação de risco para carne bovina e suína, para reconhecer zonas livre de febre aftosa no Brasil, está pendente desde 2006; os procedimentos para obter certificado para exportar maçã aguardam decisão desde 2005; e, no caso do arroz, os procedimentos foram iniciados em 2013.

O Brasil recebeu informações preliminares de que o governo do México autorizou importações de arroz brasileiro. Indagado pelo Valor sobre a abertura do mercado para o produto, Baker respondeu que o México abriu algumas cotas de importação, mas não específicas por país e sim para todos os parceiros interessados.

No exame na OMC, nenhum país mencionou expressamente as ameaças de Trump ao México.

(Fonte: Valor Econômico)

Compartilhar

Episódio 23: O etanol de milho pode mudar o futuro das usinas brasileiras?

Episódio 22: Como as tecnologias e a IA impactam as operações agrícolas?

Enviamos diariamente um boletim informativo com destaques do setor bioenergético 

Artigo Relacionado
Renovabio
Sem categoria

MME abre consulta pública sobre metas de descarbonização do RenovaBio para 2026-2035

O Ministério de Minas e Energia (MME) abriu nesta quinta-feira (11) a...

MercadoSem categoria

Conab mantém projeção de recorde de produção de grãos em 2024/25

Companhia estima colheita de 322,4 milhões de toneladas, volume 8,2% maior do...

AgrícolaSem categoriaÚltimas Notícias

Monitoramento de produtividade de cana-de-açúcar com o uso do NDVI

A cana-de-açúcar é uma das principais culturas agrícolas do Brasil e de...

Sem categoria

Cbios: Governo pretende transferir regulação de títulos

A responsabilidade sobre a regulação financeira dos Cbios (Créditos de Descarbonização) poderá...