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Sindicatos e comércio acreditam que Selic deveria ter queda maior

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A Força Sindical criticou a decisão do Comitê de Política Econômica (Copom) do Banco Central (BC), que anunciou hoje (30) nova redução dos juros básicos da economia (Selic), de 0,25 ponto percentual. Segundo a entidade, "a queda é muito tímida" e "o governo, mais uma vez, perdeu ótima oportunidade de sinalizar para o setor produtivo, que gera emprego e renda, que o país não bajula mais os especuladores e o rentismo".
 
Em nota, o presidente da central sindical, Paulinho da Força, disse que "o novo governo precisa entender que a taxa de juros em patamares estratosféricos tem sido uma ferramenta pouco eficaz no combate à inflação, pois, além de encarecer o crédito para o consumo e para investimentos, causa mais desemprego, queda de renda, e piora o cenário de recessão da economia". Além disso, acrescenta que o mercado de trabalho, em vez de abrir postos de trabalho, "tem demitido vorazmente. Ao mesmo tempo, a indústria só tem piorado seu desempenho".
 
Segundo Paulinho, a política de juros "estratosféricos" derruba a atividade econômica e diminui a capacidade de consumo das famílias. Também reduz a confiança e os investimentos, "o que compromete ainda mais a capacidade de crescimento econômico futuro".
 
"A especulação financeira desenfreada tem drenado imensas quantidades de recursos vitais ao pleno desenvolvimento nacional. Recursos estes que poderiam ser direcionados para a saúde, a educação; para moradias; mas que vão parar nos bolsos dos banqueiros", disse.
 
A Força Sindical defende a redução da taxa de juros e a implementação de políticas que priorizem a retomada do investimento, o crescimento da economia, a geração de empregos, a redução da desigualdade social, o combate à pobreza e a distribuição de renda.
 
 
Federação do comércio
 
Enquanto isso, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) acha que o BC acertou ao reduzir a taxa Selic para 13,75% ao ano. "A atitude é correta, diante de um cenário mais estável do que no passado recente. As dúvidas sobre o ambiente político estão sendo gradativamente reduzidas e os indicadores de inflação continuam a mostrar enfraquecimento", disse, em nota. No entanto, a FecomercioSP acredita que "o movimento de corte de juros poderia ter começado um pouco antes, e diz que a diminuição poderia ter sido maior, dada a recessão econômica sem precedentes no país".
 
A nota da FecomercioSP dz ainda que "o BC sabe que a situação econômica ainda é ruim e percebe que a inflação dá sinais muito claros de desaceleração", com variações de 0,08% em setembro e de 0,26% em outubro, contra 0,54% e 0,82%, respectivamente, para os mesmos meses de 2015.
 
Segundo a entidade, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Teto de Gastos "é o fator mais relevante de curto prazo para o ajuste macroeconômico", e ressalta que "o quadro de sinais dados pelos mercados inclui a confiança de empresários e consumidores, em alta nos últimos meses".
 
A FecomercioSP espera que o ciclo de queda dos juros continue na próxima reunião do Copom, em janeiro de 2017, pois entende que "a economia está estrangulada por muitos impostos e juros que permanecem elevados, mesmo diante de um quadro de acentuada crise", com quedas do Produto Interno Bruto (PIB) superiores a 3% ao ano. A FecomercioSP acredita que toda a estrutura de juros da economia caia em breve para que o comércio, os setores de turismo e de serviços possam começar a "respirar um pouco mais aliviados", finaliza a nota.
 
Camila Boehm com edição de Stênio Ribeiro
Fonte: Agência Brasil – ABr
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