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Usinas temem que eventual mudança na metodologia afete etanol

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A saída de Pedro Parente do comando da Petrobras colocou os produtores de etanol em alerta. Após o “tsunami” provocado pela greve dos caminhoneiros no mercado de combustíveis nos últimos dias, o receios imediato no setor é de que a troca de comando mude a política de precificação da gasolina A, que sai das refinarias da estatal, e que desde o início foi fortemente comemorada pelas usinas.

Nos últimos meses, os repasses diários dos preços internacionais dos derivados do petróleo à gasolina do mercado doméstico vinham favorecendo as usinas, já que os preços do petróleo estão em franca ascensão. Com isso, a gasolina C, vendida nos postos, estava perdendo vantagem para o etanol.
Tanto que, no primeiro trimestre deste ano, as vendas de etanol hidratado das distribuidoras aos postos foram 44% maiores do que no mesmo período do ano passado, somando quase 4 bilhões de litros, de acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A competitividade do etanol hidratado nas bombas passou a fazer com que as usinas programassem destinar o máximo de cana possível desta safra para o biocombustível. O setor teme o fim dessa política. “O maior risco é termos irrealismo de preços”, disse Plinio Nastari, presidente da consultoria Datagro.

Os usineiros estão em compasso de espera. André Rocha, presidente do Fórum Nacional Sucroenergético, acredita ser pouco provável que a Petrobras altere sua política de preços. Mas ressalta que a alta do dólar decorrente das turbulências já é negativa para as usinas que tem dívida no mercado internacional.

Já um executivo do setor ressalta que Parente não era o único fiador da atual política de preços e que toda a equipe – incluindo Ivan Monteiro, escolhido para ser o CEO interino -, além do conselho têm um compromisso com a saúde financeira da Petrobras. “Parente foi mais político do que executivo”, avalia.

Para Nastari, a possibilidade de se utilizar uma Cide com alíquota flexível como um “colchão” tarifário para absorver as oscilações do mercado internacional seria a melhor solução “não só para o setor sucroalcooleiro, mas para a sociedade”. “A política de realismo tarifário é inconsistente com a estabilidade do preço na bomba? Não, desde que se tenha um tributo compensatório”, defendeu.

No saldo até agora, a redução do diesel favorece as usinas. O combustível é o principal custo do setor. Na sexta-feira, as ações da Cosan – que controla a Raízen Energia junto com a Shell – fecharam em baixa de 0,77%, em R$ 38,50; os papéis da Biosev caíram 1,07%, em R$ 3,69; enquanto os da São Martinho fecharam em alta de 0,57%, em R$ 17,62.

Fonte: Valor Econômico 

 

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