Importadores privados de combustíveis veem ameaças com decreto do diesel

Importadores privados de combustíveis dizem que os preços do diesel estabelecidos no decreto de subvenção publicado na quinta-feira (7) inviabilizam importações, o que deve jogar sobre a Petrobras a responsabilidade de trazer o combustível do exterior.

A limitação das importações privadas gera no setor receio de risco de desabastecimento em regiões hoje abastecidas por combustível importado, segundo antecipou a coluna Mercado Aberto.

O decreto estabeleceu preços de referência para a venda de diesel em diferentes regiões, sobre os quais se aplicará o desconto de R$ 0,30 por litro, que será ressarcido pelo governo federal em duas parcelas mensais.

Na região Norte, por exemplo, o preço de referência é R$ 2,2681 por litro, enquanto a cotação do Golfo do México, usada como referência para o mercado brasileiro, equivalia na quinta a R$ 2,20 por litro, sem considerar custo de frete.

O presidente da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), Sérgio Araújo, disse que as empresas do setor teriam prejuízo com preço de referência estabelecido e que hoje não há encomendas de novas cargas do exterior.

As associadas da entidade importam em média 450 a 500 milhões de litros por mês, valor que terá de ser suprido por outros importadores, como as grandes distribuidoras e a própria Petrobras, que têm estrutura logística mais competitiva.

Araújo diz que há risco de desabastecimento, mas especialistas no setor dizem acreditar que a estatal ocupará o espaço deixado pelas importadoras privadas.

A Folha apurou que o tema preocupa também distribuidoras regionais de combustíveis, que são hoje os principais clientes do diesel importado por empresas independentes.

No primeiro bimestre, segundo dados da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis), a Petrobras já recuperou parte do terreno perdido para importações privadas.

A empresa foi responsável por 8,4% das importações do combustível, quase o dobro dos 4,3% verificados na média de 2017.

No primeiro bimestre deste ano, o país importou 2,6 bilhões de litros.

Uma postura mais agressiva nas importações, porém, vai contra a estratégia adotada pela Petrobras nos últimos anos, deixando espaço para empresas privadas atuarem no mercado para fomentar a competição.

Para o analista Luiz Carvalho, do UBS, a imposição de preços pelo governo é também prejudicial para o plano de negócios da estatal, ao expor a empresa a riscos cambiais e do preço do petróleo e dificultar o processo de venda de ativos em refino.

Além disso, o decreto limita a subvenção a R$ 0,30 por litro, mesmo que os preços internacionais disparem.

Eventuais diferenças seriam corrigidas no reajuste de preços em agosto, após o fim do congelamento.

“A história sugere que o governo brasileiro não deverá dar subsídios ilimitados, dada a situação fiscal do Brasil. Menores preços do petróleo e um real mais forte podem ajudar, mas as incertezas sobre os próximos passos do governo nos deixam cautelosos”, escreveu Carvalho.

Nesta sexta (8), a Petrobras informou que seu conselho de administração aprovou a adesão ao programa de subvenção do diesel.

Segundo a ANP, outras 27 empresas pediram adesão, entre elas há importadoras privadas.

Fonte: Folha de S.Paulo 

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