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Venda direta de etanol eleva custos, diz Plural

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Distribuidoras de combustíveis divulgaram ontem estudo estimando que a venda de etanol hidratado diretamente aos postos elevaria o custo de transporte do produto no Brasil em ao menos R$ 181 milhões ao ano, levando-se em conta a movimentação do ano passado. E, com isso, as distribuidoras estimam um aumento de custos total de até R$ 877 milhões ao ano. O estudo foi apresentado um dia depois de os senadores terem aprovado o regime de urgência para o projeto que permite que usinas façam a venda direta. Ontem à noite, no entanto, a Câmara dos Deputados rejeitou o regime de urgência.
O estudo foi elaborado pela consultoria Leggio – especializada nas áreas de petróleo e gás e em agronegócio – sob encomenda da Plural, associação que reúne Raízen Combustíveis, Ipiranga e BR Distribuidora. Segundo a Leggio, o custo de transporte de etanol no Brasil (via distribuidoras) é de R$ 730 milhões por ano, enquanto o transporte direto das usinas aos postos somaria R$ 911 milhões anuais.
Conforme o estudo, a eliminação das distribuidoras fragmentaria o transporte do produto e direcionaria para as rodovias parte da movimentação do biocombustível que hoje é feita em dutos e trilhos, modais mais baratos, mas só viáveis com volumes elevados.
Além disso, a consultoria avalia que seriam usados veículos com capacidade menor que os utilizados hoje pelas distribuidoras nas rodovias por causa de restrições de tráfego nas cidades onde as usinas atuam e porque elas privilegiariam a venda a municípios próximos.
Para carregar essa frota de veículos menores, as usinas teriam que construir uma infraestrutura própria de carregamento, o que oneraria o custo do produto por cerca de cinco anos, diz a consultoria.
Sem essa infraestrutura, a consultoria prevê maior tempo de carregamento, descarregamento e principalmente de espera em filas – reduzindo a produtividade e, portanto, elevando o custo.
Mesmo que as usinas tenham capacidade de carregamento, a consultoria avalia que um veículo que sai da unidade com etanol teria que realizar várias viagens, enquanto os veículos usados pelas distribuidoras também entregam diesel B e gasolina C, realizando menos viagens.
Poderia haver ainda aumento do custo de movimentação de outros combustíveis, cujos fretes são beneficiados pela escala elevada. A partir de dados informados pelas distribuidoras, a Leggio calcula que a perda de escala elevaria o custo de transporte de anidro em R$ 34 milhões ao ano, e do diesel B e da gasolina C em R$ 252 milhões ao ano.
Marcus D’Elia, sócio-executivo da Leggio, lembra, porém, que o efeito do tabelamento de fretes, que ainda está em discussão no governo, não foi considerado.
Além dos custos calculados pela Leggio, a Plural considera que as usinas gastariam mais R$ 410 milhões ao ano para incluir a comercialização de etanol aos postos entre suas funções.
O estudo da Leggio restringiu-se a calcular o custo de transporte de etanol e não avaliou o aumento de custos das usinas nem qual seria a redução de custo na cadeia com a retirada da margem das distribuidoras e de seus custos operacionais e administrativos.
Também ontem a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) divulgou posicionamento contra a proposta porque “dificulta a implementação do RenovaBio” e porque exigiria mudanças na cobrança de PIS, Cofins e ICMS, hoje recolhidos pelas distribuidoras.
Já Renato Cunha, presidente do Sindaçúcar/PE e defensor da venda direta, argumenta que a proposta no Senado é de “venda alternativa” pelas usinas, “e não exclusiva”. Ele lembra que a medida foi recomendada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Fonte: Valor Econômico 

 

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