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Dólar e queda de preços levaram Zilor a prejuízo de R$ 43 milhões na safra

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Após duas safras no azul, a companhia Zilor, dona de três usinas sucroalcooleiras no interior paulista e sócia da Copersucar, registrou prejuízo líquido na temporada 2017/18, marcada pelos preços médios menores de açúcar e etanol em relação à safra anterior. O resultado negativo, de R$ 43 milhões, foi impactado por fatores sem efeito no caixa, como a alta do dólar sobre a dívida e a queda dos preços sobre o cálculo do valor do ativo biológico.

“Os preços mais baixos de açúcar e etanol contribuíram. Mas, sem a correção do ativo biológico e o impacto de variação cambial, ainda teríamos resultado positivo”, afirma Fabiano Zillo, que assumiu recentemente o cargo de diretor-presidente da companhia.

O efeito negativo da variação cambial sobre a dívida foi de R$ 45,8 milhões. Segundo Moisés Barbosa, gerente contábil, o efeito é elevado porque parte dos financiamentos da Biorigin, subsidiária produtora de derivados de leveduras, foi tomada em dólar.

Sem esses efeitos “não caixa”, o lucro seria de R$ 16 milhões. Ainda assim, seria um resultado bem menor que na safra passada, quando o lucro foi de R$ 167,4 milhões. As perdas vieram basicamente do negócio de açúcar e etanol, e foram minimizadas pelo melhor desempenho da Biorigin, e da cogeração de energia elétrica.

O tempo seco em boa parte do ano colaborou para que os índices de concentração de sacarose na cana fossem elevados. Mas por causa de compromissos de comercialização assumidos com a Copersucar, a produção ainda foi mais açucareira que na safra anterior, apesar do etanol ter se tornado mais vantajoso no meio da temporada. O “mix” de produção foi de 47%, 2 pontos percentuais a mais do que em 2016/17.

A redução dos ganhos com açúcar e etanol pressionou a receita líquida da Zilor, que caiu 3,7%, para R$ 1,9 bilhão, e o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado, que caiu 15,2%, para R$ 466,8 milhões.

O destaque positivo foi a Biorigin, que tem ganhado espaço nos Estados Unidos e na Europa, onde há aumento da demanda por uma alimentação humana e animal mais saudável. Os derivados de leveduras podem ser utilizados, por exemplo, na ração de aves por criadores que querem reduzir o uso de antibióticos, ou em alimentos veganos como forma de elevar a durabilidade.

Na safra passada, a Biorigin viu seu faturamento crescer 11%, para R$ 379,8 milhões, e os bons resultados do negócio já animam os acionistas da Zilor a apostar em uma nova rodada de crescimento. “Estamos entrando de forma pesada nesse segmento, com aumento do valor agregado. Podemos dobrar o faturamento em cinco anos”, projeta Zillo.

Neste ano, a Zilor pretende estabelecer parcerias com empresas dos Estados Unidos e do México que têm fábricas com capacidade ociosa para utilizar esse espaço e elevar a produção dos derivados de leveduras. Na unidade em Kentucky, nos EUA, devem ser investidos US$ 3 milhões para dobrar a capacidade de produção, que hoje é de 1,5 tonelada por mês.

Em oito anos, a Zilor investiu cerca de R$ 280 milhões na Biorigin. Os aportes elevaram o endividamento nos últimos anos, mas na safra passada a dívida líquida caiu 16,8%, para R$ 1,1 bilhão, com o fortalecimento do caixa.

Fonte: Valor Econômico

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