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Tabela de frete vai afetar inflação do ano, diz Ipea

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O tabelamento do frete, principal medida negociada pelo governo para encerrar a paralisação dos caminhoneiros, que se prolongou por 11 dias no fim de maio, pode aumentar a pressão sobre a inflação ao consumidor este ano. O impacto será especialmente sentido no setor alimentício. A avaliação é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que divulgou ontem nova edição da Carta de Conjuntura.

Em junho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), subiu 1,26%, a maior taxa para o mês desde 1995. Os preços do grupo alimentação e bebidas aumentaram 2,03%, o que resultou numa contribuição de 0,50 ponto porcentual para a inflação do mês.

O Ipea calcula que os alimentos vão encerrar o ano 3,93% mais caros, o equivalente a uma contribuição de 0,62 ponto porcentual para o IPCA de 2018, estimado pelo instituto em 4,20%.

É possível que essa previsão seja revista para cima, dependendo do impacto que o tabelamento do frete terá sobre os custos dos produtores. O encarecimento do transporte pode causar uma pressão maior sobre os preços dos alimentos e, consequentemente, sobre a inflação do ano, avaliou José Ronaldo de Castro Souza Júnior, diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea. “Mas ainda não é possível prever a dimensão desse efeito”, disse.

A medida provisória que permite o estabelecimento de preços mínimos para os fretes rodoviários foi aprovada por deputados e senadores no dia 11. Os valores serão divulgados com base em regulamentação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), levando em consideração gastos com óleo diesel e pedágios.

Desabastecimento. Segundo o Ipea, o repique inflacionário de junho teve influência de três efeitos da greve sobre os preços dos alimentos no País: o entrave logístico durante a paralisação; a falta de estoques do varejo e de matérias-primas na indústria; e o aumento nos custos do transporte derivado do tabelamento dos fretes.

“Para julho, a expectativa é de que as pressões sobre os preços derivadas dos dois primeiros elementos se diluam, restando os efeitos decorrentes do tabelamento de fretes. O início da nova safra agrícola, com a consequente necessidade de insumos, adubos e fertilizantes nas regiões produtoras, tende a intensificar esse repasse de preços no curto e médio prazos, à medida que a atual safra seja escoada pagando fretes mais altos; e, no longo prazo, via menor oferta de alimentos, caso a safra 2018/2019 continue com seu plantio comprometido”, ressaltou o estudo do Ipea.

Fonte: O Estado de S.Paulo

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