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Brasil deve se manter como 2º maior mercado para a Basf

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Empresa concluiu a aquisição de ativos da Bayer, agregando um portfólio de 300 milhões de euros para a América do Sul.No mercado brasileiro, a Basf passa a ter uma ampla liderança na área de sementes de algodão. 

O Brasil deve se manter pelo menos como o segundo maior mercado local para a Basf, com a integração dos ativos da Bayer, cuja negociação foi concluída na quarta-feira (1/8). Historicamente, o Brasil disputa a liderança nos resultados da multinacional com os Estados Unidos.

“Deve ser mais o segundo do que o primeiro, em função do aporte que esse negócio tem para lá (Estados Unidos). Mas continuamos o segundo mais relevante e isso é importante na tomada de decisões. É importante a voz do Brasil na área de sementes. Já era nos defensivos”, afirmou o vice-presidente da Divisão de Soluções para a Agricultura na América Latina, Eduardo Leduc, em entrevista coletiva, em São Paulo (SP).

A aquisição dos ativos da Bayer foi negociada em função das exigências de autoridades de defesa da concorrência para a compra da Monsanto por parte da concorrente. O negócio foi estimado em 7,6 bilhões de euros. Inclui todo o catálogo com sistemas produtivos ligados ao princípio ativo glufosinato de amônia.

Os acordos incluem também as operações na área de hortaliças, plataforma de pesquisa de trigo híbrido, tratamento de sementes e herbicidas à base de glifosato. Conforme o comunicado, passa de uma empresa para a outra um contingente de 4,5 mil funcionários.
Nas estimativas da Basf, a aquisição agrega mais de 2 bilhões de euros em vendas, ampliando o potencial para 8 bilhões de euros anuais na divisão agrícola. Envolve também 900 milhões de euros em investimentos (mais de 40% do que a empresa investiu em 2017, que foi de 1,9 bilhão de euros).
A nova estrutura integrará ainda 217 locais de pesquisa entre laboratórios, campos experimentais e unidades de melhoramento de sementes. Só na América Latina, são 25; 15 deles no Brasil.

Para a América do Norte, o portfólio agregado da Bayer que, desde a quarta-feira, já pode ser comercializado pela Basf, representará um aporte de 1,4 bilhão de euros. Na América do Sul, que tem no Brasil o principal mercado, será o equivalente a 300 milhões de euros.“Essa aquisição tem muito foco nas Américas e no Brasil. Para o Brasil, muda muita coisa. Não é simplesmente colocar produtos no portfólio. Muita gente vem para a área de pesquisa e desenvolvimento, com novas frentes de trabalho. É um fortalecimento muito grande”, explicou Leduc.

No mercado brasileiro, a Basf passa a ter uma ampla liderança na área de sementes de algodão. Segundo Leduc, a posição da empresa nesse segmento vem de investimentos em pesquisa, que serão mantidos. A estratégia para manter a liderança é ter “um material novo a cada ano”.
Na soja, a participação da empresa é menos significativa, uma fase que Leduc classificou como de “introdução de variedades”. Com uma participação de mercado bem menor, a estratégia é a de acelerar o crescimento, não apenas no Brasil, mas também em mercados como a Argentina, um grande produtor global da oleaginosa.

“Entramos definitivamente no mercado de sementes. Passamos a ser proprietários de marcas muito bem definidas e estabelecidas e a ser mais uma opção de mercado para a oferta de sementes e traits (tecnologias inseridas nas sementes),”, disse Leduc.

Complementaridade

Em teleconferência, também nesta quinta-feira (2/8), o chefe global da área agrícola da Basf, Markus Heldt, explicou que a integração das estruturas adquiridas da Bayer deve terminar até janeiro de 2019. O momento atual é o que a empresa chama de “fase de descoberta”, com o acesso total às informações do que antes pertencia à concorrente.

Segundo ele, a Basf se torna quarta maior do mundo no segmento que passa a chamar de “soluções para a agricultura”, que envolve o portfólio desde tratamentos de sementes até agroquímicos. “A aquisição traz complementaridades estratégicas e inclui as marcas”, explicou Heldt. A expectativa é adicionar novas operações em cerca de 60 países.

Ele informou ainda que serão mantidas as principais marcas utilizadas pela Bayer. Isso inclui a Liberty Link, para as tecnologias de soja e algodão associadas ao princípio ativo glufosinato de amônia, e Nuhems, com sede na Holanda, que atua no segmento de hortaliças. “Não há intenção de mudar, mas em expandi-las em escala global. São reconhecidas como grandes marcas”, disse Heldt.

Na conversa com os jornalistas, Eduardo Leduc não detalhou quando novos produtos devem chegar ao mercado. Disse apenas que o momento atual é de “entender melhor” o que está sendo agregado e em que combina mais com o que já estava nos planos. O executivo pontou, no entanto, que existem materiais para lançamento já para este ano e para o ano que vem.

“Temos que avaliar e buscar as sinergias. Algumas coisas a gente consegue disponibilizar no curto prazo. Mas até a quarta-feira (1/8), não tínhamos acesso aos detalhes, nem dados específicos sobre produtos, clientes e mercados. Agora somos proprietários da tecnologia”, disse.

Fonte: Revista Globo Rural

 

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