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Distribuidoras culpam queda nos estoques e falam em aumento do etanol até início da safra

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Após uma entressafra atípica com queda de 7,7% no etanol no Estado, os consumidores devem sentir uma alta de até R$ 0,25 no litro pelos próximos dias, segundo o Sindicato Brasileiro de Distribuidoras de Combustíveis.

A justificativa dada pela entidade é que a queda nos estoques ocasionada pela alta procura pelo combustível mais barato elevou a cotação nas usinas.

A expectativa é de que o motorista pague mais caro pelo menos até o início da safra, quando a produção deve normalizar a disponibilidade do produto e equalizar os preços novamente.

De acordo com a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o litro do etanol nos postos atualmente tem saído em média a R$ 2,55. Com a projeção de alta, o produto deve ficar acima dos R$ 2,80.

“A produção foi tão grande de álcool na nossa região e no Estado, que é o grande responsável pelo álcool do Brasil, que estamos chegando no fim da entressafra e as usinas ainda têm álcool estocado para manter o mercado no preço em que está. O que acontece é que, já no final da entressafra, os estoques das usinas começaram a baixar, apesar de estarem muito grandes e, nesse momento, as usinas começaram a puxar o preço para cima, como fazem em todo final de entressafra”, afirma Flávio Jandoso Navarro, diretor de assuntos governamentais do sindicato.

Desmotivado pela baixa rentabilidade do açúcar no mercado internacional, o setor sucroenergético elevou o mix de etanol na safra 2018/2019, com uma produção 43,3% maior até o final de janeiro deste ano, segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), e no maior patamar dos últimos 11 anos.

Diretor de uma usina na região de Ribeirão Preto (SP) – um dos principais polos produtores do país -, Antônio Eduardo Tonielo Filho confirma que, na última safra, produziu 32% de combustível hidratado a mais em relação ao período anterior, o que desencadeou no preço reduzido nas bombas na entressafra, quando a gasolina estava mais cara devido à alta do barril de petróleo.

“Na entressafra, quando muitos grupos apostaram que iria subir, [os produtores] estocaram bastante. Hoje estamos com 61% a mais de estoque em relação às últimas quatro safras, mas o preço entrou na entressafra caindo. Janeiro teve queda o mês inteiro. Em fevereiro ele teve, praticamente, chegou a R$ 1,58 para o produtor, 13% mais baixo que no ano passado”, diz.

Para esta semana, no entanto, o etanol já ficou ao menos 7% mais caro, segundo ele. “Isso pode refletir para o consumidor porque é toda uma cadeia: nós, produtores, a distribuidora, o posto de combustível, cada um tem impostos. É uma cascata de impostos e isso pode refletir, sim, para o consumidor, até mais de 7%.”

Mas, segundo o diretor do sindicato das distribuidoras, o início da safra deve fazer com que os preços entrem em queda.

“Em abril começa a safra, todas as usinas começam a produzir, os estoques começam a subir na usina. Então, certamente, a gente vai esperar uma baixa e voltar a pagar o álcool nos níveis que estamos pagando no Estado, entre R$ 2,30 a R$ 2,50”, disse Navarro.

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Episódio 23: O etanol de milho pode mudar o futuro das usinas brasileiras?

Episódio 22: Como as tecnologias e a IA impactam as operações agrícolas?

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