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Implementos “driblam” a palha e otimizam adubação da soqueira

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Equipamentos da DMB possibilitam a aplicação de nitrogênio – produzido com base em uréia – junto ao sistema radicular da planta, dos dois lados da linha da cana

A colheita mecanizada de cana crua tem provocado diversas mudanças no manejo das lavouras. Uma delas está relacionada à adubação da soqueira devido à presença da palha nessas áreas, que torna-se uma barreira natural para fertilizantes. O desperdício de nitrogênio com base em uréia, caso seja lançado sobre a palha, é considerado um dos maiores problemas da adubação em canaviais onde ocorre o corte mecanizado. É que há perda do produto, nessas condições, por volatilização.   

Para “driblar” a biomassa e possibilitar melhor aproveitamento do adubo, existem hoje no mercado equipamentos que cortam a palha e colocam o produto dos dois lados da linha da cana. A medida proporciona uma redução significativa de custos.

O produtor de cana Francisco César Urenha, de Serrana, SP, revela que espera a palha deteriorar ao máximo para fazer a aplicação de NPK (Nitrogênio, Fósforo e Potássio). Para isto, há a utilização do adubador de disco 1250 H, da DMB Máquinas e Implementos Agrícolas, que corta a palha até uma certa profundidade e distribui o adubo no solo. “Acho que este método é melhor, pois o fertilizante atinge a parte radicular da planta de forma mais rápida. Este é o nosso entendimento. Existem teorias diversas sobre isto”, comenta.

Todo fertilizante deve ter contato direto com a terra, porque há melhor aproveitamento dos nutrientes – ressalta.   

Segundo ele, a mudança na adubação é apenas uma das consequências da mecanização da colheita. “Agora é 100% de cana crua, 100% de corte mecanizado. É aquele pisoteio. Acho que isto estressa bastante a cana, além de compactar o solo. Essa mudança no manejoprejudicao um pouco o produtor no quesito produtividade. Mas, a realidade é esta. Não tem volta. Estamos aprendendo a lidar com essa situação”, comenta.

Apesar dos novos desafios, o canavial da propriedade de Francisco Urenha tem obtido uma produtividade em torno de 85 toneladas de cana por hectare (TCH) e, em alguns casos, chega a 90 TCH. No total, a área de cana é de 2 mil hectares, sendo que a colheita ocorre em 1500 a 1700 hectares por safra, dependendo da renovação da lavoura – informa. O fornecimento da cana é feito exclusivamente para a Usina Da Pedra, que também está localizada em Serrana.     

Em decorrência da nova realidade nos canaviais, Francisco Urenha – que é também diretor secretário da Cooperativa dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo (Copercana) – enfatiza que é necessário lidar com as condições proporcionadas pela presença da palha. “Não faço o recolhimento. Não há viabilidade econômica”, observa. Ele lembra que a palha tem fatores positivos e negativos: “Combate a erosão, mantém a umidade de solo e acaba, com o tempo, fornecendo potássio. Porém, favorece o surgimento da cigarrinha e de todas aquelas pragas de solo”, constata. Além disso, exige cuidados especiais na adubação. 

Redução de custos – O adubo é o segundo item que teve maior aumento de preço no processo de produção agrícola de cana-de-açúcar, nos últimos dez anos, destaca o engenheiro agrônomo Auro Pardinho, gerente de marketing da DMB Máquinas e Implementos Agrícolas, ao citar inclusive que o assunto foi abordado em palestra durante o Seminário de Produtividade e Redução de Custos da Agroindústria Canavieira, do Grupo IDEA, realizado no mês de dezembro, em Ribeirão Preto, SP. As máquinas agrícolas apresentaram a menor elevação – detalha.

A adubação bem-feita é fundamental para a redução de custos na produção de cana – destaca Auro Pardinho. “Existe atualmente, no entanto, o hábito de se jogar fertilizante por cima da palha durante a adubação da soqueira. Até esse adubo chegar no solo e ser aproveitado pela cana, boa parte dele fica perdido no caminho”, alerta.     

Há trabalhos, como os do CTBE, da Unesp, de Jaboticabal e CTC, que comprovam essa perda de nutrientes quando o adubo é jogado por cima da palha – observa.  “O produtor e a usina pagam caro pelo insumo para não terem o aproveitamento que poderiam ter”, enfatiza.

Para a otimização do uso de fertilizantes, existem hoje implementos adequados para a realização da adubação correta, que colocam o adubo no lugar certo, na dosagem indicada – afirma Auro Pardinho. “Cortam a palha a mais ou menos 10 centímetros de profundidade. Mas, a partir de sete centímetros está bom, porque o adubo já fica protegido”, diz.

A DMB possui uma linha de implementos que realizam a adubação da soqueira com eficiência. Os principais são os adubadores de disco 1250 H e o 2300 A, que colocam o adubo dos dois lados da linha da cana exatamente onde cresce o sistema radicular da cana, além de cortarem a palha – informa.  “É como dar comida na boca. O adubo está indo na raiz da cana”, ressalta.

De acordo com ele, uma grande vantagem deste tipo de equipamento é que o produtor e a usina podem trabalhar com fonte nitrogenada com base em uréia. “Como o adubo é enterrado, não há perda por volatilização. Quando o pessoal joga o adubo por cima da palha a fonte nitrogenada tem que ser obrigatoriamente nitrato, porque não apresenta esses problemas. Porém, o nitrato é sempre mais caro e, às vezes, mais difícil de ser encontrado”, compara.

Para Pardinho, esse produto não vai ser mais usado como fertilizante daqui a algum tempo. “O nitrato é utilizado para fazer explosivo, dinamite. É um produto que é controlado pelo exército. As fábricas não vão encontrar mais nitrato para a produção de fertilizantes futuramente, principalmente por causa dessas histórias de assaltos a bancos, caixas eletrônicos e explosão de carro forte”, diz.

A uréia é sempre mais barata, mas é preciso enterrá-la para ser protegida. E esses implementos, que enterram adubo, podem trabalhar com uréia – salienta.

Outro equipamento da DMB, que pode ser utilizado para aplicação de fertilizante em áreas com palha, é o adubador com distribuição em profundidade e superficial. “Com esse equipamento, é possível enterrar o nitrogênio com base em uréia e jogar o potássio na superfície. É claro que é melhor enterrar os dois nutrientes. Mas, esse implemento foi desenvolvido a partir de solicitação de usinas, que querem enterrar o nitrogênio, mas não o potássio. É muito utilizado”, esclarece.

O adubador de discos 2300 A e o de distribuição em profundidade e superficial fazem a aplicação de fertilizante em três linhas simultaneamente. O 1250 H distribui o adubo em duas linhas. Este implemento tem ainda a versão para adubação em profundidade das soqueiras da cana-de-açúcar plantada no espaçamento combinado de 0,90 x 1,50 m.

Para a adubação em área com palha, a DMB ainda disponibiliza o Cultivador São Francisco, que atualmente tem o seu uso mais restrito a áreas onde a colheita foi realizada com o solo um pouco úmido. “Algumas usinas, em determinadas situações, têm pressa em fazer a colheita, mesmo em período de chuva, e não esperam o solo secar direito, o que provoca a compactação. A recomendação é delimitar esses locais e utilizar o São Francisco, com a haste subsoladora. para descompactar a área”, diz.

Se a colheita ocorrer durante período seco normal, não há mais motivo para a utilização de haste subsoladora na entrelinha. “Ninguém mais está fazendo isto, porque há gasto com potência de trator e combustível. A preocupação deve ser a realização da adubação da soqueira de maneira correta, com a aplicação do adubo enterrado dos dois lados da linha da cana, como possibilitam os adubadores 1250 H, 2300 A e de distribuição em profundidade e superficial”, afirma.

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