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Calculadora permite medir eficiência ambiental de biocombustíveis

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Pesquisadores vêm desenvolvendo uma calculadora que permitirá medir a eficiência ambiental dos biocombustíveis. Chamada de RenovaCalc, a ferramenta deve servir de referência para definir os chamados créditos de descarbonização previstos no RenovaBio, de incentivo aos combustíveis renováveis.

O trabalho começou a ser feito há cerca de um ano pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e incluiu pesquisadores de outras instituições. O grupo é formado por 12 pessoas, especialistas em áreas como sistemas de produção, processos e georreferenciamento.

A base para desenvolver a ferramenta é a chamada Avaliação de Ciclo de Vida (ACV), em que todo o processo de produção é considerado. Aceita internacionalmente, a metodologia foi modelada utilizando características da realidade brasileira e diretrizes do programa RenovaBio.

“Avaliamos a pegada de carbono do berço ao túmulo”, diz o sócio do Agroicone Marcelo Moreira, um dos integrantes do grupo que desenvolveu a metodologia. “Nos biocombustíveis, essas emissões são bem menores que nos fósseis e essa diferença é importante para o RenovaBio”, acrescenta.

No caso do etanol de cana, por exemplo, o ciclo de vida envolve desde os insumos usados nas lavouras, passando pelo transporte da matéria-prima do campo para a indústria até o consumo final, diz ele. Em cada parte desse processo, é feito o cálculo da chamada pegada de carbono, ou seja, o balanço de emissões de gases estufa.

Essa eficiência é medida em gramas de CO2 equivalente por megajoule, unidade reconhecida internacionalmente, explica Moreira. Mas, para efeito do RenovaBio, é possível converter esse valor, por exemplo, em gramas de CO2 equivalente por litro de etanol.

A metodologia inclui ainda premissas relacionadas ao uso sustentável da terra, garante o sócio do Agroicone. Estar em dia com o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e não substituir áreas de vegetação nativa por lavouras para combustíveis renováveis estão entre os princípios.

Calcada nos parâmetros da Análise de Ciclo de Vida e a partir das informações dos produtores, a RenovaCalc estabeleceria a chamada nota de eficiência. A partir desse número, seriam gerados os certificados de biocombustíveis, chamados de CBios, a serem negociados a valor de mercado pelos portadores.

“É uma transformação no setor porque, agora, o produtor precisa conhecer a sua produção no aspecto ambiental para ser remunerado. É uma área que não gerava receita e vai passar a gerar. E quanto mais transparente, melhor para a nota de eficiência”, diz Moreira.

A ferramenta já vem sendo apresentada a representantes do setor produtivo. E uma nota técnica com a metodologia de ACV e a RenovaCalc foi enviada para a Agência Nacional do Petróleo (ANP), diz Marcelo Morandi, chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente.

Segundo ele, a Agência deve analisar o material e, junto com outras diretrizes do RenovaBio, colocá-lo em consulta pública. “A RenovaCalc é uma ferramenta para facilitar o fornecimento de dados, tendo por trás uma modelagem de avaliação de ciclo de vida. A ideia é tornar um sistema online”, resume.

Embora possa servir de referência para uma remuneração por eficiência ambiental, a metodologia da RenovaCalc não trata desse assunto. É apenas o subsídio técnico, dizem os pesquisadores. A definição sobre a negociação dos Cbios deve estar a cargo do Ministério de Minas e Energia (MME).

Morandi explica que, por ter esse mandato, a ANP seria responsável por gerenciar o sistema da RenovaCalc. A proposta feita pelo grupo de pesquisa inclui a possibilidade de revisões periódicas para incluir novos parâmetros de cálculo.

“A proposta é esse processo ser coordenado pela ANP, mas tocado por um grupo de especialistas em Avaliação de Ciclo de Vida para ajustar os cálculos de eficiência ambiental. De três a quatro anos seria um período interessante para as revisões”, avalia.

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