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Quebra na Índia deve levar a expansão do déficit global de açúcar

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A safra 2016/17 deve resultar em déficit global de açúcar mais acentuado, em 8,5 milhões de toneladas, puxado principalmente por impactos da Índia. A avaliação é da consultoria INTL FCStone, que em novembro havia estimado déficit em 7,8 milhões de toneladas. “O segundo maior produtor global de açúcar [Índia] vem sofrendo tanto com os efeitos das monções fracas em 2015 sobre a área plantada e a idade média dos canaviais, como com os impactos das chuvas abaixo da média este ano”, explicou a consultoria em relatório divulgado nesta sexta-feira (24).

Das 483 usinas que operaram nesta safra, 191 já haviam encerrado suas atividades até o final de janeiro, levando a produção na segunda metade daquele mês a ficar 41% abaixo do mesmo período na safra passada.

“Mesmo considerando a situação positiva dos canaviais no maior estado produtor, Uttar Pradesh, estimamos a produção total do país em 20 milhões de toneladas (valor branco), 20,3% abaixo da safra passada”, explica o analista de mercado, João Paulo Botelho. Esta queda seria puxada por Maharashtra e Karnataka (segundo e terceiro maiores produtores), que sofreram mais com as monções fracas e para os quais esperamos quebra de 46%.

O Brasil, principal produtor global de açúcar, também teve sua estimativa de produção revisada para baixo. No Nordeste, a safra vem sendo afetada por forte quebra agrícola, causada por chuvas abaixo do normal durante a entressafra e começo da colheita, levando a INTL FCStone a reduzir sua estimativa de produção para 3,2 milhões de toneladas (tel quel – a soma de açúcares brutos e refinados), o que ainda representa um aumento de 22% em relação a 2015/16 devido ao ATR relativamente melhor e, principalmente, ao forte aumento no mix açucareiro.

A produção também foi reduzida na América Central, onde problemas na Guatemala devem diminuir a recuperação do grupo, cuja produção ainda deve subir em 7,3% em comparação com 2015/16, para 5,5 milhões de toneladas.

Outros países, entretanto, tiveram suas estimativas para a safra corrente aumentada, suavizando o impacto sobre o saldo. Neste sentido, vale destacar a Rússia, onde as plantações de beterraba apresentaram produtividade 23% superior ao ciclo anterior, o que, juntamente com o aumento de quase 10% na área colhida, levou a produção de açúcar a superar 6 milhões de toneladas (valor branco) pela primeira vez na história. Desta forma, o país, que já foi o maior importador de açúcar do mundo, deve ser um exportador líquido em 2016/17.

No que se refere à demanda global, a consultoria reduziusua estimativa em 0,4%, para 184,9 milhões de toneladas, ainda assim 1,2% acima da safra anterior. A desaceleração no consumo do adoçante é resultado do maior nível de preços internacionais, que reduz o apetite dos compradores.

“Devemos destacar a Índia, o maior consumidor da commodity e também um dos países que apresenta demanda mais volátil devido, principalmente, à possibilidade de substituição do produto por alternativas mais baratas”, avalia o analista João Paulo Botelho. 

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