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Entrega física de contratos futuros do açúcar é a menor desde 2014

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A redução acentuada das entregas físicas de açúcar nos contratos futuros na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) pode ser atribuída à mudança global na produção do adoçante, comentou na quarta-feira (24/10), em relatório a consultoria INTL FCStone. A entrega física dos quatro contratos na ICE que expiraram em 2018 somou 2,4 milhões de toneladas, o menor patamar desde 2014, informou a consultoria.

Nos contratos de julho e outubro, foram efetivadas entregas de apenas 331 mil e 271 mil toneladas, respectivamente, sendo que nos oito encerramentos anteriores o volume liquidado sempre ficou acima de 700 mil toneladas, e a média alcançou 1,1 milhão de toneladas. “A safra global 2017/2018 (de outubro de 2017 a setembro de 2018) foi marcada por forte mudança nos fluxos internacionais do açúcar, o que ajuda a explicar por que as entregas decresceram”, afirma o analista de mercado da INTL FCStone, João Paulo Botelho.

O incremento no processamento do adoçante na Índia e na Tailândia resultou em excedente para exportação de 21,6 milhões de toneladas da temporada 2017/2018, ante 9,3 milhões de toneladas no ciclo 2016/2017. Em compensação, o declínio na produção brasileira – um dos principais produtores e exportadores mundiais – levou ao recuo de 29% no excedente exportável da América do Sul, para 22 milhões de toneladas.

“O resultado prático dessas mudanças sobre o mercado físico de açúcar é que destinos antes atendidos por exportadores do Brasil agora estão comprando produto da Tailândia e, no futuro próximo, devem começar a importar volumes consideráveis da Índia. Entre os mercados nos quais isso ocorreu podemos destacar Sudeste Asiático, Oriente Médio e Leste da África”, avalia Botelho. Na análise da INTL FCStone, esse movimento deve se intensificar no ciclo 2018/2019, podendo a levar um excedente exportável maior na Ásia do que na América do Sul.

A consultoria aponta a localização geográfica dos países importadores de adoçante como um dos motivos para os exportadores asiáticos terem melhores condições de vender o açúcar no mercado físico, em razão de a estrutura logística render maior margem de lucro que a dos traders que negociam em Nova York.

“A maior participação de países da Ásia nas exportações de açúcar provavelmente é um dos fatores que diminuem o volume entregue contra a bolsa de Nova York, uma vez que os vendedores desses países têm maior incentivo para vender no mercado físico na comparação com os brasileiros”, resume Botelho.

Para 2019, a consultoria projeta que o diferencial de prêmio entre a Tailândia e o Brasil, com a maior oferta de açúcar no país asiático, torne-se ainda mais estreito. A competição com os exportadores da Índia deve levar os vendedores tailandeses a praticar preços mais atrativos.

“Mesmo considerando esses fatores, a maior concentração de mercados importadores no continente deve impedir que o prêmio nos principais mercados exportadores da Ásia caia para o nível praticado no Brasil”, considera a INTL FCStone.

Fonte: Estadão Conteúdo

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