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Venda da Braskem deve ser assinada com LyondellBasell até outubro

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O acordo para venda da participação do grupo Odebrecht na Braskem para a LyondellBasell deve ser assinado até meados de outubro, apurou o Valor. A expectativa é que, após quatro meses do anúncio do início das conversas, em junho, a Petrobras já tenha oficializado a decisão de acompanhar ou não o movimento de sua sócia na petroquímica e a transação seja submetida a órgãos antitruste, incluindo o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), no Brasil, e a Federal Trade Commission (FTC), nos Estados Unidos.

 

O fechamento do negócio transformará a Braskem em uma subsidiária integral, caso todas as etapas previstas nos planos da LyondellBasell se confirmem. Mas isso só deve ocorrer após a aprovação das autoridades reguladoras e, considerando-se os prazos do Cade, a análise pode se estender até meados do ano que vem.

 

Segundo fontes com conhecimento da situação, a fase de “due diligence”, que envolve desde a verificação de informações contábeis e financeiras a auditorias nos complexos industriais da Braskem, está prestes a começar. Ao mesmo tempo, as empresas seguem trabalhando no modelo definitivo da operação.

 

O processo de levantamento de informações vai confirmar o preço final de aquisição. Na avaliação de analistas que acompanham a indústria petroquímica, a Braskem sozinha tem valor justo em torno de R$ 60 por ação. A esse número devem ser acrescidos o prêmio de controle – que será pago a todos os acionistas que aderirem à oferta – e as sinergias.

 

Ao adicionar a esse valor calculado por analistas um prêmio de 20% a 25%, considerado razoável frente ao histórico de transações na indústria petroquímica, chega-se a um preço potencial de mais de R$ 70 por ação. Mas essa matemática, observou uma fonte qualificada, pode ser conservadora, já que a desvalorização cambial por si só ampliou o valor da Braskem nos últimos meses.

 

Ainda não há um número final para as sinergias resultantes da combinação dos ativos da petroquímica brasileira e de sua concorrente com sede na Holanda, mas esse ganho chegaria a bilhões de reais em diferentes frentes, entre as quais financeira, tecnológica, comercial e operacional. Procurada, a Odebrecht não comentou o assunto.

 

Custo mais baixo de captação de recursos da LyondellBasell, fornecedores em comum, possibilidade de uso da tecnologia da petroquímica estrangeira em mais unidades da Braskem e presença de ambas no mesmo mercado estão entre as alavancas que podem gerar valor relevante, a ser confirmado na due diligence.

 

Hoje, a LyondellBasell fornece propeno para a Braskem na Europa e nos Estados Unidos, enquanto a petroquímica brasileira fornece polipropileno (PP) para a fábrica de compostos da multinacional em Pindamonhangaba (SP). Fábricas de PP da Braskem já utilizam tecnologia da concorrente e há possibilidade de redistribuição de produção entre as unidades fabris de ambas, ampliando eficiência e reduzindo custos.

Haveria ainda ganhos relativos ao fato de a LyondellBasell ser listada na bolsa de Nova York, mercado acionário mais relevante para o setor petroquímico globalmente. A Braskem tem ADRs (recibos de ações) na praça americana, mas a maior parcela do “free float” hoje está no Brasil. Além disso, a companhia brasileira é negociada com desconto em relação a sua potencial compradora – com um múltiplo de valor de empresa (EV)/Ebitda estimado pelo mercado para 2018 inferior a 6 vezes, contra mais de 8 vezes da Lyondell.

 

A Odebrecht deseja trocar uma parte de suas ações por papéis da LyondellBasell, tornando-se acionista minoritária da que será a maior produtora de resinas termoplásticas do mundo. Pelo valor da empresa combinada, o grupo passaria a deter uma participação em torno de 10%, se convertesse tudo em ações. Mas esse percentual e quanto deverá receber em dinheiro e em participação ainda não estão definidos.

 

Segundo fontes ouvidas pelo Valor, a estatal, que já tornou pública a intenção de se desfazer de sua fatia na Braskem, deve exercer o direito de venda conjunta (tag along). Com esse movimento, na avaliação de uma fonte, a estatal não deve enfrentar problemas junto ao Tribunal de Contas da União (TCU).

 

Há cerca de dois anos, a Petrobras teria procurado potenciais compradores para suas ações na Braskem e, embora tenha encontrado interessados, não houve consenso em torno do preço. Diante disso, passou a estudar diferentes modelos de valorização da petroquímica, incluindo a conversão de todas as ações em ONs e pulverização do capital, transformando-a em corporação.

 

No segundo semestre do ano passado, porém, a LyondellBasell se aproximou da Odebrecht e houve início de diálogo. Ao ceder a exclusividade nas negociações à Lyondell, a Odebrecht e Braskem tiveram de interromper as conversar com outros investidores interessados, entre fundos de investimento, grandes petroleiras com presença na indústria química e concorrentes.

 

Globalmente, o setor químico-petroquímico tem se reorganizado em busca de ganho de escala ou especialização em determinado segmento, captura de sinergias e melhoria da eficiência. Isso se acelerou mais recentemente para fazer frente à alta do petróleo e do gás. A própria Lyondell já havia indicado a disposição de crescer também por meio de aquisições.

 

Em um extenso relatório sobre Braskem divulgado no início deste ano, o analista Hassan I. Ahmed, da Alembic Global Advisors, chegou à conclusão de que a companhia brasileira seria a de maior aderência às pretensões da LyondellBasell em uma eventual operação de fusão e aquisição. A partir de informações e indicações fornecidas pela potencial compradora, o analista mapeou, ao todo, seis potenciais alvos: Methanex, Celanese, Covestro, Braskem, Trinseo e Westlake.

 

Procurada, a Petrobras não comentou o assunto. O Valor apurou que a estatal ainda não está participando diretamente das tratativas.

 

Fonte:Valor Econômico

 

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