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Compensação tributária salva a Atvos, da Odebrecht, do prejuízo

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Após registrar um prejuízo bilionário na temporada 2016/17, a Atvos Agroindustrial, braço sucroalcooleiro da Odebrecht, apresentou o balanço da safra passada (2017/18), encerrada em março, com um lucro líquido de R$ 308,3 milhões. O resultado positivo se deveu a compensações tributárias.

A companhia, porém, teve uma despesa financeira de mais de R$ 1,5 bilhão, o que a levou a consumir recursos próprios. O caixa da Atvos no fim do exercício era de R$ 156,4 milhões, montante 34% menor do que um ano antes e abaixo da dívida de curto prazo (que vencia em 12 meses) no fim da safra. As informações foram publicadas no Diário Oficial de São Paulo na terça-feira.

A Atvos lançou no balanço um crédito de R$ 1,6 bilhão referente a “compensação de prejuízo fiscal e base negativa”, efeito contábil que lhe garantiu o resultado líquido positivo. A empresa também utilizou o benefício fiscal da “depreciação acelerada incentivada rural”, um aproveitamento fiscal de gastos com formação de canavial e aquisição de implementos agrícolas, o que assegurou R$ 42,5 milhões como movimento de tributos diferidos.

Sem essas operações, a Atvos teria registrado prejuízo na safra. Antes de pagamento de imposto de renda e da contribuição social, o resultado líquido ficou negativo em R$ 1,3 bilhão.

A receita líquida da empresa no período caiu 4,2%, para R$ 4,242 bilhões. A moagem de cana recuou 8%, para 25,8 milhões de toneladas. Em nota, a Atvos explicou que seu resultado foi “impactado, principalmente, por fatores climáticos, como estiagem prolongada e geadas”, além da “queda do preços de etanol no início da safra, decorrente do fim do crédito presumido de PIS e Cofins”, em 31 de dezembro de 2016, e “da alta oferta do produto no final da safra 2016/17”.

Em nota, Alexandre Perazzo, vice-presidente de finanças e relações com investidores, atribuiu os baixos preços do etanol “ao alto volume de importações no primeiro semestre”. O executivo disse ainda que “o cenário atual de câmbio e petróleo deve permitir uma recuperação dos preços da safra 18/19 em relação aos praticados na safra anterior”.

Na safra passada, a companhia reduziu seu custo operacional, o que colaborou para seu lucro operacional saltar a R$ 132,2 milhões. Esse resultado operacional, porém, não foi suficiente para garantir o resultado líquido por causa da despesa financeira bilionária.

A dívida líquida total da companhia encerrou o ciclo com alta de 9%, totalizando R$ 9,379 bilhões. Apenas a dívida de curto prazo no fim da safra recuou 33%, para R$ 219 milhões. No entanto, o valor ainda superava o montante que a companhia tinha em caixa na mesma data (R$ 156,4 milhões). Ao longo da temporada, a Atvos consumiu R$ 81,9 milhões de seu caixa.

Nas notas explicativas do balanço, a empresa ainda informou ter comunicado seus credores da renegociação dos prazos de pagamento de seus débitos que venciam em breve em decorrência da paralisação dos caminhoneiros, que interrompeu a operação em diversas usinas. Informou ainda que “não espera efeitos significativos originários dessas renegociações”.

Fonte: Valor Econômico 

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