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Consultoria elabora possíveis cenários para o etanol após o Covid-19

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O segundo trimestre de 2020 deve ser bastante desafiador para o etanol, uma vez que a COVID-19 tem limitado a circulação de pessoas e de automóveis no Brasil, impactando negativamente a demanda. Além disso, os preços tem apresentado forte tendência de queda.

De acordo com a consultoria INTL FCStone, as expectativas iniciais para o desempenho do C.O (Ciclo Otto) se reverteram. Agora, as indicações são de que a demanda por essa classe de combustíveis recue significativamente.

Dessa forma, a consultoria elaborou três possíveis cenários para o Centro-Sul do Brasil na safra em 2020/21.

O primeiro cenário considera redução anual de 3,1% no consumo de C.O., o que representa queda total de cerca de 1,3 milhão de m³ em equivalente gasolina.

Nota-se que essa retração é similar àquela observada na safra 2018/19, quando foi registrada a greve dos caminhoneiros.

Nesse contexto, de acordo com a consultoria, cerca de 3,1 Mm³ de hidratado deixariam de ser consumidos e 18,7 milhões de Mm³ dessa variedade seriam produzidos (usinas devem ampliar o direcionamento de cana à fabricação de açúcar, analisado na próxima seção).

O segundo cenário considera retração de 7,5% na demanda por combustí- veis do Ciclo Otto – ou de 3,1 Mm³ em equivalente gasolina. Teríamos, por- tanto, redução de pouco mais de 3,9 Mm³ na procura por etanol hidratado, sendo que a produção do álcool combustível seria de 17,8 Mm³.

O terceiro cenário, por fim, é caracterizado por diminuição de 10,0% no consumo de C.O, o que equivaleria a 4,2 Mm³ em equivalente gasolina.

Neste cenário, especificamente, cerca de 4,4 Mm³ de etanol hidratado deixariam de ser consumidos, e a produção dessa variedade seria de 17,4 Mm³.

Segundo a INTL, é válido notar que não somente as perspectivas de redução na demanda pelo biocombustível têm pesado sobre suas cotações, mas também a queda expressiva nos preços do óleo bruto e de derivados.

“Por exemplo, no acumulado de 2020 até a finalização desta publicação, a gasolina A no Brasil havia acumulado retração de R$ 0,834/L, reforçando viés baixista sobre o etanol”, explica o relatório.

Neste sentido, desde o fim de fevereiro, quando o hidratado havia sido cotado a R$ 2,59/L PVU base Ribeirão Preto, as cotações se desvalorizaram em 37,1% e encerraram a primeira semana de abril na média de R$ 1,63/L PVU base Ribeirão Preto.

“As expectativas são de que as cotações continuem caindo, visto que usinas têm iniciado a colheita de cana de 2020/21 e a demanda pelo etanol tem se mostrado mais branda devido às medidas restritivas implementa- das para controle da COVID-19 no Brasil’ afirma a consultoria.

De acordo com a empresa, a intensidade da retração no curto prazo dependerá,.contudo, de quanto tempo o lockdown perdurará e qual será o impacto real sobre o consumo de combustíveis.

Importações

As importações brasileiras também devem ficar no radar. Em março, 218,2 mil m³ de anidro foram internalizados, sendo 76,2% dessas compras direcionadas ao Centro-Sul.

“É fato que ainda há espaço para que certa quantidade de biocombustível seja adquirida dentro da CTI (Cota Trimestral de Importação) de 275 mil m³,.renovada no último mês. Mas parece pouco provável que tenhamos volumes expressivos no próximo trimestre – ao menos em grande parte dele”, relata, os especialistas da INTL.

Além da já citada redução no consumo de combustíveis do ciclo, o etanol americano se mostra pouco favorável aos compradores brasileiros. “Mesmo com preços baixos nos EUA, essa tendência deve ser reforçada não somente pela tarifação de 20% que deve incidir sobre volumes futuros,.mas também pelo elevado patamar do dólar comercial”, afirma o relatório.

Para os EUA, observa-se que destilarias têm registrado margens desfavoráveis de produção e a demanda por etanol se mostra pouco aquecida. “Ainda que esse cenário possa pressionar a fabricação da commodity,.a oferta no curto prazo pode não ser fortemente impactada, dados os elevados estoques e a tendência de queda no consumo do combustível renovável”, conclui o relatório.

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Episódio 23: O etanol de milho pode mudar o futuro das usinas brasileiras?

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