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Agro sustenta superávit de US$ 4,3 bilhões em janeiro; açúcar recua em valor com queda de preços

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O agronegócio foi decisivo para que o Brasil iniciasse 2026 com superávit de US$ 4,3 bilhões na balança comercial em janeiro, resultado 85,8% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado. O desempenho foi influenciado principalmente pela retração mais acentuada das importações, que caíram 9,8%, enquanto as exportações recuaram 1,0%, totalizando US$ 25,2 bilhões.

Os dados constam no relatório mensal de acompanhamento do comércio exterior elaborado pelo Departamento Econômico da Faesp, a partir de informações do MDIC/ComexStat.

O agronegócio foi determinante para o resultado positivo do país, registrando superávit de US$ 9,1 bilhões no mês, enquanto os demais setores da economia apresentaram déficit de US$ 4,8 bilhões. As exportações do agro brasileiro somaram US$ 10,76 bilhões em janeiro, com recuo de 2,2% na comparação interanual.

Entre os principais produtos exportados, o açúcar apresentou retração relevante em valor. As vendas externas de açúcar de cana em bruto caíram 26,3% na comparação com janeiro de 2025, passando de US$ 822,2 milhões para US$ 606,3 milhões. O volume embarcado recuou 2,0%, enquanto o preço médio apresentou queda de 24,7%.

No caso do açúcar refinado, a receita caiu 31,6%, com redução de 2,4% no volume exportado e recuo de 29,9% no preço médio. Mesmo com a retração, o açúcar permaneceu entre os principais itens da pauta exportadora do agronegócio brasileiro, respondendo por cerca de 6,8% do valor total exportado pelo setor em janeiro.

O relatório aponta ainda mudanças na composição dos destinos das exportações. No caso do açúcar de cana, os Emirados Árabes Unidos ampliaram as compras em 196,3% na comparação interanual, elevando sua participação relativa, enquanto a Índia registrou redução de 45,9% no valor importado do produto brasileiro.

Apesar da retração do complexo sucroalcooleiro, outros segmentos do agro apresentaram desempenho positivo. A carne bovina in natura registrou alta de 42,5% em valor, consolidando-se como o principal produto exportado pelo setor em janeiro. As exportações de bovinos vivos cresceram 158,2%, configurando recorde para o período. O complexo soja também apresentou avanço, com crescimento de 91,7% nas vendas externas de soja em grãos, 83,1% no óleo de soja em bruto e 13,7% no farelo de soja, mesmo em período de entressafra.

Agro paulista mantém superávit, mas complexo sucroalcooleiro recua em valor

No estado de São Paulo, a balança comercial total apresentou déficit de US$ 2,2 bilhões em janeiro, ampliando em 34,2% o saldo negativo frente ao mesmo mês de 2025. O agronegócio paulista, por sua vez, garantiu superávit de US$ 1,3 bilhão, enquanto os demais setores da economia estadual registraram déficit de US$ 3,5 bilhões.

As exportações do agro do estado totalizaram US$ 1,84 bilhão, com queda de 16,6% na comparação interanual. Entre os principais produtos exportados, o complexo sucroalcooleiro apresentou desempenho negativo em valor.

O açúcar de cana em bruto recuou 13,6% em receita, apesar do aumento de 10,7% no volume embarcado, indicando queda no preço médio internacional, que recuou 21,9%. O açúcar refinado apresentou retração de 36,5% em valor, com redução de 13,7% no volume exportado e queda de 26,4% no preço médio. As exportações de álcool etílico também registraram recuo expressivo, de 79,7% em valor.

Mesmo com as variações observadas, o açúcar permaneceu como o principal item da pauta exportadora do agronegócio paulista em janeiro, respondendo por aproximadamente 24,5% do valor total embarcado pelo setor no estado.

O relatório também destaca que o mês foi marcado pela assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Em 2025, o bloco europeu respondeu por 15% do valor das exportações do agronegócio brasileiro e por 19% das importações do setor. No caso paulista, as exportações para a União Europeia somaram US$ 4,1 bilhões no ano anterior, equivalentes a 14% do total exportado pelo agronegócio do estado.

Natália Cherubin para RPAnews

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