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“Uns vêm, outros vão”, diz prefeito de Maracaju (MS) sobre ruínas de usina

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Espaço da antiga usina MR virou um “ferro-velho” a céu aberto após abandono do local

As ruínas da usina Maracaju, conhecida antigamente como MR, viralizaram nas redes sociais nos últimos dias. O local estaria abandonado há cerca de 15 anos e internautas lamentaram o “ferro-velho” que virou o espaço, responsável por gerar emprego e renda para dezenas de famílias décadas atrás.

As imagens mostram vários maquinários enferrujados em deterioração. Nos comentários, alguns lamentaram o abandono e compartilharam lembranças sobre a empresa. “Usina que gerava muitos empregos e lucros para Maracaju. Acabar desse jeito é muito triste”, disse um deles. “Só sucata”, afirmou outro.

A usina processava cana-de-açúcar. O prefeito de Maracaju, Marcos Calderan (PSDB), afirmou que o negócio deixou de ser interessante para os empresários devido à valorização de outras commodities, como soja e milho.

“É impossível. Nem governo estadual, nem federal, nem municipal consegue incentivar a iniciativa privada a investir em uma coisa que não está sendo viável no momento. Porém, nesse intervalo, nós ganhamos. Temos algo muito maior, que é a usina de etanol de milho e DDG, que é o componente do milho para servir de ração animal também, uma empresa de mais de um bilhão de reais que já está funcionando em Maracaju”, afirma.

A fábrica de etanol de milho da Neomille, subsidiária da CerradinhoBio, entrou em operação em 18 de junho de 2024. Ela foi a segunda fábrica de etanol e milho a iniciar operação em Mato Grosso do Sul.

Maracaju ficou na expectativa de ganhar outra usina, mas o projeto bilionário chinês não decolou e foi parar na Justiça. A BBCA prometeu investimento de R$ 2,2 bilhões em Mato Grosso do Sul, mas não entregou quase nada.

O projeto apresentado em 2013 parecia ser um grande negócio, com instalação de uma fábrica de derivados de milho e produtos químicos na cidade distante 158 km de Campo Grande. Para isso, recebeu diversos incentivos fiscais e até um terreno avaliado em R$ 10 milhões, que foi cedido pelo município.

A indústria asiática pagou cerca de R$ 2,5 milhões adiantados antes de iniciar o projeto, em 2015. Porém, como o negócio não vingou, agora tenta recuperar R$ 1,4 milhão em créditos tributários na Justiça.

O atual prefeito de Maracaju lamenta que o projeto não deu certo. “Os chineses são muito voláteis. Hoje eles falam uma coisa, amanhã já falam outra e depende do mercado internacional. Acabou não dando certo”, disse.

O chefe do executivo apontou que os investimentos dependem de algumas variáveis, o que pode acabar inviabilizando projetos. “Então uns vão, outros vêm, e nem sempre o Poder Público tem força para isso, mas a gente sente qualquer perda”, garante.

Jornal MídiaMax| Thalya Godoy

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