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Pesquisadores da USP defendem etanol e biodiesel como caminho mais rápido para substituir gasolina e diesel no Brasil

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Documento elaborado por especialistas da Escola Politécnica propõe ampliação do uso de etanol e biodiesel no transporte como estratégia central da transição energética

Pesquisadores da área de Engenharia Automotiva da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) defendem que o caminho mais eficiente para o Brasil substituir gasolina e diesel passa pela ampliação do uso de biocombustíveis, especialmente etanol e biodiesel. A avaliação integra um documento elaborado por professores da instituição para contribuir com a construção do chamado “Mapa do Caminho”, iniciativa do governo federal voltada à substituição gradual de combustíveis fósseis no País.

O documento foi encaminhado aos ministérios de Minas e Energia, Meio Ambiente e Mudança do Clima, Fazenda e Casa Civil, em resposta ao despacho presidencial de dezembro que determinou a elaboração de uma proposta para orientar a transição energética brasileira, tema central das discussões internacionais sobre clima e um dos compromissos assumidos pelo Brasil na COP30.

Segundo os pesquisadores, o Brasil já parte de uma posição relativamente favorável no debate global sobre descarbonização. Atualmente, cerca de 50% da energia consumida no país é proveniente de fontes renováveis, o que coloca o país em uma situação confortável no cenário de mudanças climáticas. No setor de transportes, foco principal do estudo, aproximadamente metade da energia utilizada também tem origem renovável.

“A nossa proposta é continuar com os combustíveis renováveis, como etanol e biodiesel, que são soluções já maduras no Brasil. Não estamos olhando apenas para uma nova fonte de energia, mas para toda uma cadeia consolidada de suprimentos, tecnologia e parque industrial”, afirmou o professor Guenther Krieger Filho, do Departamento de Engenharia Mecânica da Poli-USP, em entrevista à Rádio USP.

Etanol pode substituir gasolina em veículos de passeio

De acordo com os pesquisadores, uma das medidas centrais para a substituição da gasolina seria a otimização dos motores flex para operar predominantemente com etanol. O estudo aponta que pequenas modificações nos motores poderiam aumentar a eficiência do combustível entre 10% e 20%, tornando o etanol ainda mais competitivo.

Atualmente, metade da energia utilizada pelos veículos de passeio no Brasil vem da gasolina e a outra metade do etanol. Para substituir totalmente a gasolina, seria necessário ampliar a área destinada à produção do biocombustível.

“A área utilizada hoje para produção de etanol é de cerca de 8,8 milhões de hectares. Mas acreditamos que não seria necessário dobrar essa área, porque teremos ganhos de eficiência nos motores. Com aproximadamente mais 7 milhões de hectares seria possível substituir a gasolina”, explicou o professor Antonio Laganá, também da Engenharia Mecânica da Poli-USP, em entrevista à Rádio USP.

Transporte urbano e veículos pesados

O documento também analisa caminhos tecnológicos para diferentes categorias de veículos. Para veículos comerciais urbanos, como ônibus e caminhões leves, os pesquisadores apontam como solução promissora sistemas híbridos que combinem motores elétricos com motores a combustão operando com etanol.

Já no caso dos veículos pesados, como caminhões rodoviários, locomotivas e máquinas agrícolas ou de mineração, a proposta envolve uma combinação de tecnologias, com uso crescente de etanol e biodiesel em substituição ao diesel fóssil.

Segundo o professor Laganá, caso metade do consumo de diesel no país fosse substituído por etanol, seria necessário ampliar significativamente a produção do biocombustível. “Considerando que o Brasil consome cerca de 60 bilhões de litros de diesel por ano, se metade fosse substituída por etanol seriam necessários aproximadamente 45 bilhões de litros adicionais por ano”, afirmou à Rádio USP.

Os pesquisadores também destacam que a expansão da produção de biocombustíveis seria viável do ponto de vista territorial. Estimativas apresentadas no estudo indicam que cerca de 20 milhões de hectares adicionais poderiam ser suficientes para substituir gasolina e diesel de origem fóssil no país.

Esse crescimento poderia ocorrer sem necessidade de desmatamento, considerando a existência de grandes áreas de pastagens degradadas disponíveis para recuperação e uso agrícola.

Etanol deve permanecer no centro da transição energética

Na avaliação dos especialistas da Poli-USP, a estratégia brasileira de descarbonização do transporte não deve abrir mão do etanol, dada a maturidade tecnológica do setor e a estrutura industrial já instalada no país.

“Basicamente é manter a visão de que a transição energética não pode abrir mão do etanol. Para o Brasil, abandonar esse caminho seria um contrassenso”, afirmou Krieger.

O professor também destacou a importância de ampliar investimentos em pesquisa e desenvolvimento para aperfeiçoar motores de combustão interna e novas soluções híbridas.

“É fundamental continuar apoiando projetos de desenvolvimento tecnológico, porque isso também tem impacto direto na economia, na geração de empregos e na industrialização do país”, concluiu.

Natália Cherubin com informações da Rádio USP

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