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Participação de bloco de controle na Raízen pode cair de 88% para 30%

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Bloco passará a ser dividido entre Shell, Cosan e Aguassanta

O processo de recuperação extrajudicial da Raízen, protocolado nesta quarta-feira, 11, vai mudar bastante a composição acionária da empresa. Segundo pessoas ligadas às negociações, a companhia deve continuar com um bloco de controle, mas com uma participação acionária bem menor e com uma configuração diferente.

Hoje, o bloco de controle detém 88% das ações da empresa. Ele é dividido de forma igualitária entre Shell e Cosan, com 50% das ações para cada grupo.

Na nova configuração, os sócios devem passar a deter algo em torno de 30% da companhia. O bloco passará a ser dividido entre Shell, Cosan e Aguassanta, a holding de Rubens Ometto, controlador da Cosan. A Shell será a maior acionista individual.

Não está claro ainda, no entanto, como esse controle da empresa será exercido. A questão da divisão do conselho de administração, por exemplo, ainda está em discussão.

Além disso, credores e outros acionistas da Raízen negociando uma conversão de cerca de R$ 25 bilhões de dívida em capital. Se chegarem a um acordo, devem se tornar sócios da empresa.

A avaliação é que, ao final do processo de recuperação, a dívida da empresa, que está hoje em torno de R$ 65 bilhões, cairia para algo como R$ 35 bilhões. É o maior processo extrajudicial desse tipo já visto no Brasil. Oi e Odebrecht tiveram débitos maiores reestruturados, mas foram processos feitos já no âmbito judicial.

As pessoas ouvidas pela reportagem, em condição de anonimato, dizem também que, nesse momento, não há uma busca por um novo investidor para a empresa.

Cenário macroeconômico e dificuldades setoriais

O aporte de capital dos controladores na Raízen deve ficar em R$ 4 bilhões: R$ 3,5 bilhões virão da Shell e R$ 500 milhões serão aportados por Ometto, por meio da Aguassanta.

Nas últimas semanas, representantes de Shell, Cosan, Raízen e BTG Pactual (acionista da Cosan) fizeram uma série de reuniões, buscando chegar a um acordo sobre quanto dinheiro deveriam aportar na empresa, que não evoluiu além dos R$ 4 bilhões decididos. As conversas incluíram até um encontro, em Brasília, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em fato relevante, a Raízen atribui a deterioração da situação financeira do grupo a uma combinação de fatores macroeconômicos e setoriais, incluindo ciclos recentes de menor produtividade agrícola, compressão de margens e aumento do custo do endividamento.

Segundo o documento, mudanças no ambiente econômico e no próprio setor sucroenergético prejudicaram o desempenho das companhias operacionais do grupo nos últimos anos e acabaram pressionando toda a estrutura financeira das empresas envolvidas.

“A alteração do cenário macroeconômico e setorial – decorrente de ciclos de colheita de menor produtividade, queda das margens e alto custo do endividamento financeiro – prejudicou a atividade das companhias operacionais e, por consequência, toda a operação estruturada pelas Devedoras ao longo de anos de atuação no segmento”, afirma.

O texto também destaca o impacto do forte aumento das taxas de juros no Brasil no período recente. De acordo com o documento, houve uma “alta expressiva da taxa básica de juros no mercado doméstico”, com a Selic passando de cerca de 2% em 2020 para aproximadamente 15% em 2026.

Esse movimento, segundo o plano, elevou significativamente o custo do endividamento das empresas do grupo e contribuiu para o agravamento da situação financeira.

O Estado de S.Paulo | Raquel Landim
Com colaboração de Leandro Silveira e Gabriel Azevedo

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