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Aumento na mistura de etanol à gasolina melhora cenário para usinas

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O Brasil, segundo maior produtor mundial de etanol, está considerando aumentar a mistura de etanol na gasolina, em uma medida que ajudaria consumidores diante dos preços mais altos dos combustíveis e também impulsionaria a demanda das usinas de cana-de-açúcar que enfrentam excesso de oferta de biocombustível.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou na quarta-feira, 8, que o Brasil pretende elevar a mistura obrigatória de etanol na gasolina para 32% no primeiro semestre de 2026.

Atualmente, o percentual é de 30% e a proposta indica um cronograma muito mais rápido do que a maioria dos analistas esperava, à medida que a guerra no Irã pressiona os preços dos combustíveis fósseis.

“É um movimento que está acontecendo rapidamente porque leva em consideração a alta dos preços globais do petróleo bruto e dos produtos refinados”, disse o presidente da comercializadora de etanol SCA Brasil, Martinho Ono.

A decisão anterior de aumentar a mistura ocorreu no ano passado e foi precedida por uma série de testes técnicos e discussões que prolongaram o prazo de implementação. “O etanol sempre foi mais barato que a gasolina, então, uma mistura maior reduz os custos de combustível [para os consumidores]”, acrescentou.

Aliviar o impacto sobre os consumidores de gasolina é crucial, já que a inflação se torna uma grande preocupação antes das eleições presidenciais deste ano no Brasil. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já reduziu impostos sobre alguns combustíveis, enquanto a volatilidade do petróleo afeta os preços do diesel e eleva o custo do frete.

O aumento da mistura na gasolina viria em um momento crucial para a indústria de etanol, que recentemente viu suas margens pressionadas pela maior concorrência, enquanto a maior produtora de etanol de cana do país, a Raízen, enfrenta uma crise de endividamento.

A maior parte do etanol brasileiro vem da cana-de-açúcar, mas a expansão de novas usinas que processam milho a custos mais baixos tem prejudicado os lucros do setor tradicional.

“É benéfico para a indústria”, disse a analista da trading de commodities Czarnikow Group, Ana Zancaner. Ela estima um aumento de 800 milhões de litros na demanda por etanol neste ano decorrente da medida, o que pode ajudar a reduzir os estoques de biocombustível até o fim da safra e potencialmente gerar um prêmio no preço pago às usinas pelos distribuidores de combustíveis.

Isso representa uma mudança em relação ao cenário anterior à guerra. Os preços do etanol subiram no Brasil desde o início do conflito e com a safra de cana ainda em estágio inicial. Ainda assim, os níveis atuais não são “saudáveis” nem suficientes para cobrir os custos de produção, afirmou o sócio-executivo da consultoria FG/A, Willian Hernandes.

O possível aumento do mix para 32% enviaria “uma mensagem significativa para o resto do mundo”, afirmou, referindo-se ao impacto da guerra no Irã e à maturidade da indústria de etanol no Brasil.

A ampla oferta de cana e milho também indica que não haverá dificuldades para cumprir o novo mandato, disse o analista de inteligência de mercado da StoneX, Marcelo Bonifacio Filho.

As usinas têm flexibilidade para destinar a matéria-prima tanto para açúcar quanto para etanol, e o momento de uma decisão definitiva do governo será crucial para determinar se produzirão mais ou menos açúcar, acrescentou.

Ainda assim, as usinas já vêm aumentando a produção de etanol nesta safra, diante dos baixos preços do açúcar. A principal região produtora do Brasil, o Centro-Sul, deve elevar a oferta de etanol para até 37 bilhões de litros nesta safra, segundo estimativas da StoneX, acima dos 33 bilhões reportados pelo setor no ano passado.

Os traders também acompanharão de perto os movimentos no mercado de gasolina brasileiro. A Petrobras não elevou os preços da gasolina para distribuidores desde o início da guerra no Irã. Isso pode influenciar o mercado de etanol, já que o Brasil não só utiliza etanol na mistura, como também produz um combustível 100% etanol que compete com a gasolina nas bombas.

Bloomberg| Dayanne Sousa e Ana Mano

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