Por Gustavo Segantini*
Em meio às discussões sobre segurança energética, transição para fontes renováveis e competitividade industrial, o Brasil possui um grande potencial para se destacar nesse cenário com a bioeletricidade gerada a partir da cana-de-açúcar. Trata-se de uma fonte que combina eficiência produtiva, escala e baixo impacto ambiental, inserida de forma natural no modelo operacional do setor sucroenergético.
Diferentemente de alternativas que ainda demandam avanços tecnológicos ou grandes mudanças estruturais, a bioeletricidade já faz parte da realidade de diversas usinas e pode evoluir com ganhos contínuos de eficiência. Isso significa ampliar a oferta de energia limpa a partir de uma base já instalada, com investimentos mais direcionados e retorno mais previsível.
Na prática, esse modelo garante autossuficiência energética às unidades industriais e ainda permite a exportação do excedente para o sistema elétrico nacional. Nessa conjuntura, a bioeletricidade atua como uma fonte complementar importante, contribuindo para o equilíbrio da oferta de energia no país.
Outro diferencial relevante é a previsibilidade. Ao contrário de fontes intermitentes, como solar e eólica, a bioeletricidade oferece maior estabilidade de geração durante a safra. Isso aumenta a confiabilidade do sistema elétrico e fortalece a segurança energética, um tema cada vez mais central na agenda global.
Os benefícios ambientais também são expressivos. O aproveitamento de resíduos evita desperdícios e reduz a necessidade de fontes fósseis, contribuindo diretamente para a diminuição das emissões de gases de efeito estufa. Ao longo dos últimos anos, a bioeletricidade já evitou a emissão de milhões de toneladas de dióxido de carbono, reforçando seu papel no cumprimento das metas climáticas brasileiras.
Na Tereos, esse potencial se traduz em prática. A companhia vem avançando de forma consistente na integração da geração de energia renovável ao seu modelo industrial. Por meio de sistemas de cogeração, a companhia transforma o bagaço da cana-de-açúcar em bioeletricidade, utilizando a biomassa como combustível em caldeiras para produzir vapor e eletricidade. Essa energia abastece integralmente as operações industriais no Brasil, reduzindo a dependência de fontes fósseis e, em alguns casos, permitindo a comercialização do excedente.
Ao integrar produção agrícola, eficiência industrial e geração de energia limpa, o agronegócio brasileiro demonstra que é possível aliar sustentabilidade ambiental e competitividade econômica. A bioeletricidade da cana, mais do que uma alternativa, é uma oportunidade concreta de fortalecer a matriz energética nacional com uma solução que já está pronta para crescer.

* Gustavo Segantini é diretor comercial e de tecnologia da informação da Tereos



