Os contratos futuros do açúcar registraram forte queda nesta quinta-feira (16), ampliando as perdas acumuladas na semana e atingindo os menores níveis em cerca de duas semanas e meia. O açúcar bruto com vencimento em outubro fechou em queda de 0,41 centavo de dólar, ou 2,8%, a 14,44 centavos de dólar por libra-peso, após cair para 14,37 centavos de dólar por libra-peso, a menor cotação em duas semanas..
O principal fator de pressão sobre o mercado foi a melhora das chuvas de monções na Índia. Segundo o Departamento Meteorológico da Índia (IMD), o déficit acumulado de precipitações no país era de 23% abaixo da média histórica até 15 de julho, uma recuperação significativa em relação ao déficit de 42% registrado em 30 de junho. A melhora das condições climáticas reduz as preocupações com a produção de cana-de-açúcar no segundo maior produtor mundial da commodity.
Outro fator que contribuiu para a queda foi o elevado volume de posições compradas dos fundos no açúcar branco negociado na ICE de Londres. Dados do relatório Commitment of Traders (COT) mostraram que, na semana encerrada em 7 de julho, os fundos ampliaram suas posições líquidas compradas em 10.368 contratos, alcançando um recorde de 58.131 contratos líquidos comprados, o maior nível da série histórica iniciada em 2011. Segundo analistas, um posicionamento tão elevado pode intensificar movimentos de baixa quando ocorre realização de lucros pelos investidores.
Apesar da correção desta semana, os preços do açúcar acumulam forte valorização nas últimas três semanas. Na quarta-feira da semana passada, o açúcar bruto em Nova York atingiu a maior cotação do primeiro vencimento em dois meses, enquanto o açúcar branco em Londres alcançou o maior nível em aproximadamente 10 meses.
A alta recente foi impulsionada pelas preocupações com a temporada de monções na Índia. O mercado teme que o baixo volume de chuvas reduza a produtividade da cana-de-açúcar e comprometa a produção do segundo maior produtor mundial. O Ministério de Ciências da Terra da Índia alertou que a temporada de monções deste ano poderá ser a mais fraca dos últimos 11 anos. No país, o período de monções ocorre entre junho e setembro.
As preocupações com os impactos do fenômeno El Niño sobre a produção global de açúcar também continuam dando sustentação ao mercado. A expectativa é que o fenômeno reduza as chuvas em Brasil, Índia e Tailândia, os três maiores produtores mundiais da commodity. Na última quarta-feira, o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos (CPC) informou que o El Niño, formado no mês passado no Oceano Pacífico Equatorial, poderá ser um dos mais intensos em mais de 75 anos.
Mesmo com a melhora recente das precipitações, o serviço meteorológico da Índia reduziu, na última semana, sua estimativa para o volume acumulado de chuvas da temporada de monções, entre junho e setembro, para 90% da média histórica, abaixo da previsão de 92% divulgada em abril. O cenário indica que, embora as chuvas tenham apresentado recuperação nas últimas semanas, as condições climáticas seguem sendo monitoradas de perto pelos participantes do mercado.
Com informações da Barchart


