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Os contratos futuros do açúcar fecharam em alta na maioria dos lotes da ICE, de Nova York, na última sexta-feira (28). No vencimento julho/21, o açúcar bruto valorizou 24 centavos de dólar, ou 1,4%, comercializado em 17,36 centavos de dólar por libra-peso, depois de estabelecer uma máxima de duas semanas.

Nas demais telas da ICE, o açúcar fechou em alta nos vencimentos outubro/21, março e maio/22, que subiram, respectivamente, 17, 14 e 8 pontos. A tela julho/22 fechou estável em 15,88 cts/lb. Os demais contratos caíram entre 7 e 13 pontos.

Segundo operadores ouvidos pela Reuters, operadores afirmaram que o desconto do primeiro contrato frente ao outubro estava caindo, possivelmente refletindo interesses do mercado em receber entregas quando o contrato de julho expirar no final deste mês. “A perspectiva de um pequeno excedente global na temporada de 2021/22, entretanto, deve manter um teto sobre os preços”.

Açúcar branco

Em Londres, o açúcar branco fechou em alta em todas as telas. No vencimento agosto/21, a commodity foi comercializada em US$ 459,60 a tonelada, valorização de 2,10 dólares no comparativo com a véspera. Já a tela outubro/21 subiu 2,70 dólares, firmado em US$ 461,50 a tonelada. Os demais contratos subiram entre 1,80 e 4,40 dólares.

Açúcar cristal

Após três dias seguidos em queda, o açúcar cristal voltou a subir na última sexta-feira pelo Indicador Cepea/Esalq, da USP. A saca de 50 quilos foi negociada em R$ 115,99, alta de 0,50% comparando com os preços praticados no dia anterior.

Análise

Em sua análise semanal do mercado mundial de açúcar, o diretor da Archer Consulting, Arnaldo Luiz Corrêa destacou que a alta de 70 pontos nos preços do açúcar na semana (mais de 15 dólares por tonelada) pode ter explicação na combinação de vários ingredientes: “cenário macro, valorização do real em relação ao dólar (2.60% na semana) encostando o hidratado na paridade com o açúcar (apenas 50 pontos de desconto contra NY) e o déficit hídrico que assola as regiões canavieiras no Brasil”.

Sobre o déficit hídrico, o diretor da Archer destacou que “cinco estados brasileiros estão sob alerta de emergência hídrica, situação que as autoridades classificam como “severa”. Desde 1910, quando o País começou a coletar dados meteorológicos, esta é primeira vez que esse tipo de alerta é disparado. A cotação do café em NY chegou no ponto mais alto desde novembro de 2016. A previsão de chuvas ainda é desanimadora”.

“Interessante notar que o mês de maio encerra com a média mensal de 17.21 centavos de dólar por libra-peso (100 pontos acima do que o nosso modelo previu), a maior média mensal do ano, fato que nunca ocorreu de 2000 para cá, pois em geral o período abril/maio/junho/julho é aquele em que ocorrem os menores preços médios do ano. Já os maiores preços médios do ano se concentram em dezembro, janeiro e fevereiro. Ou seja, estamos numa situação bastante inusitada”, argumenta Corrêa.

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