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A demanda global histórica por açúcar brasileiro, viabilizada pela desvalorização do real, e o pagamento de precatórios do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA) fizeram a São Martinho dar um salto no segundo trimestre da safra 2020/21. De julho a setembro, quando o segmento começou a recompor as perdas do início da pandemia, o grupo registrou lucro de R$ 331,9 milhões.

O resultado foi 169,4% maior que o do mesmo período da safra 2019/20 e, sozinho, representou mais da metade do lucro de toda a temporada passada. Foi o quarto maior resultado líquido trimestral da história da companhia, de acordo com o CEO Fabio Venturelli.

O resultado deu segurança para o conselho do grupo aprovar ontem o pagamento de R$ 120 milhões em juros sobre capital próprio aos acionistas. Apenas os precatórios – repassados pela Copersucar, que representa a São Martinho e outras usinas na ação – contribuíram com R$ 253 milhões do resultado.

Mesmo sem esse efeito, a companhia foi beneficiada por uma forte desvalorização cambial, que contribuiu com R$ 60 milhões no resultado, elevando os lucros decorrentes de suas operações para cerca de R$ 150 milhões.

A receita líquida do grupo cresceu 20,2%, para R$ 925,5 milhões, enquanto o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado subiu 22,8%, para R$ 476,2 milhões.

As exportações de açúcar continuaram brilhando nas vendas. Do início da safra até o fim do trimestre, o volume embarcado quase dobrou, para 745 mil toneladas. O preço médio, por sua vez, subiu na carona do dólar e era, até setembro, de R$ 1.243 a tonelada – a um câmbio médio de R$ 4,75, segundo Felipe Vicchiato, diretor financeiro e de relações com investidores.

A São Martinho ainda reservou 52% da produção esperada em açúcares totais recuperáveis (ATR) para a segunda metade da temporada, para a qual espera preços mais remuneradores.

A companhia também vem aproveitando o bom rendimento da cana na indústria, favorecido pelo tempo seco e por técnicas como plantio com muda pré-brotada (mpb) e meiosi, disse Vicchiato.

Com duas usinas ainda em operação, a companhia deve encerrar a safra atual com produção dentro do esperado. O avanço ante o ciclo passado ajudará a diluir custos, ressaltou Venturelli.

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