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BrasilAgro lucra mais por ajuda da cana-de-açúcar

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A estratégia de concentrar a produção de cana longe do Centro-Sul garantiu bons resultados à BrasilAgro no primeiro trimestre da safra 2021/22. No período, a companhia, uma das maiores produtoras de grãos, fibras e bioenergia do país, teve lucro líquido de R$ 107,9 milhões, resultado 43% maior que o do mesmo intervalo do ciclo 2020/21, quando foi de R$ 75,6 milhões. A receita líquida cresceu 65%, para R$ 378,1 milhões, e o salto do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado foi ainda maior, de 179%, para R$ 190,6 milhões. A empresa encerrou o trimestre com caixa de R$ 1,2 bilhão.

Com mais de 60% da produção de cana concentrada no Maranhão – o restante distribui-se entre Mato Grosso e Goiás -, a empresa escapou de problemas climáticos e teve oferta consistente, dentro da média dos últimos anos. A diferença é que o Centro-Sul, principal região produtora de cana do país, sofreu perdas de produtividade neste ciclo, restringindo a oferta e impulsionando os preços do açúcar em Nova York e do etanol no mercado brasileiro. Com isso, o valor médio recebido pelo quilo do Açúcar Total Recuperável (ATR) praticamente dobrou, passando de R$ 0,68 para R$ 1,34.

“Os preços que estamos vendo foram absurdos, muito além do nosso orçamento. Conseguimos fugir dos problemas climáticos, como as geadas que afetaram a produtividade no Centro-Sul, e entregar as mesmas toneladas”, disse ao Valor Gustavo Lopez, diretor de relações com investidores da empresa, acrescentando que as vendas de soja e milho, outras duas commodities com forte valorização, ajudaram a turbinar o resultado.

O desempenho mostra outro aspecto da BrasilAgro, que é também especialista na compra e venda de terras agrícolas. Recentemente, a companhia anunciou a venda de 3,7 mil hectares em Mato Grosso por R$ 589 milhões, maior transação de sua história. Além desse negócio, a empresa havia vendido 4,6 mil hectares de uma propriedade na Bahia por R$ 130,1 milhões. Ana Paula Zerbinatti, que coordena a área de relações com investidores da BrasilAgro, reforça que as duas vendas não foram contabilizadas neste balanço, o que é um indicativo de boas perspectivas para o trimestre que está em andamento.

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