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O bom momento vivido pelo setor do agronegócio nos anos recentes, o que vem gerando caixa para os produtores, permitiu importações recordes em 2021.

Parte desses gastos no exterior mostra que o setor acelerou investimentos, uma vez que as compras não se restringem apenas a alimentos, mas também a máquinas e equipamentos usados na agropecuária.

A expansão de áreas, principalmente a destinada a soja e a milho, levou o país a comprar um volume recorde de 40,8 milhões de toneladas de adubo no ano passado, com gastos, também recordes, de US$ 14,8 bilhões no período.

Parte desses dispêndios se deve à brusca elevação dos preços desses insumos no mercado internacional. Produção menor e conflitos geopolíticos causaram um desarranjo no fornecimento desses produtos.

Apesar dos preços, a agropecuária manteve uma tendência de aceleração nas compras, uma vez que, em 2020, o volume importado foi de 34,2 milhões de toneladas.

A expansão de área exigiu também um volume maior de agrotóxicos para o combate a pragas e inibir crescimento de ervas daninhas.

Em 2021, as importações desses agroquímicos atingiram o recorde de US$ 3,5 bilhões. Foram 362 mil toneladas colocadas no mercado interno.

Entre os alimentos, a liderança fica com o trigo. Dependente do mercado externo em pelo menos 50% de sua demanda, o país importou 6,1 milhões de toneladas, volume que se assemelha ao de 2020.

Os gastos, no entanto, foram maiores devido ao aumento dos preços do cereal no mercado internacional. O país despendeu US$ 1,63 bilhão, valor 20% superior ao de 2020.

Houve aumento também de produtos com os quais, tradicionalmente, o Brasil se destaca em exportações. Um deles é o milho.

Devido à quebra de safra, o país deixou de produzir 20 milhões de toneladas do cereal. Para suprir a demanda interna, as empresas buscaram 3,18 milhões de toneladas no exterior.

Tanto o valor pago pelo cereal, que somou US$ 728 milhões em 2021, quanto o volume importado atingiram patamares recordes.

A entrada de soja estrangeira no país foi de 863 mil toneladas no ano passado, abaixo do 1,19 milhão de toneladas de 2003. O valor gasto, porém, de US$ 399 milhões, foi recorde.

Este é o segundo ano em que o Brasil, apesar de liderar a produção e exportação mundiais de soja, tem de recorrer ao mercado externo. Ao contrário do milho, as compras não ocorrem por perda de produção, mas por excesso de exportação.

A saída da soja em grão força o país a elevar também a compra externa de óleo de soja e de farelo. No caso do óleo, os gastos de 2020 e de 2021 somam US$ 264 milhões, enquanto nos anos anteriores esse valor ficava próximo de US$ 30 milhões por ano.

As importações de óleos de soja, de palma e de coco, além de azeite de oliva, puxaram os gastos do país com o item gorduras e óleos vegetais para US$ 1,53 bilhão no ano.

Só as importações de azeite de oliva somaram US$ 405 milhões. O Brasil mostra uma necessidade de importações também em pescados, frutas e produtos hortícolas. Neste último caso, o alho é um dos principais pesos na balança comercial.

A renda do produtor está permitindo uma renovação de equipamentos vindos do mercado externo, e utilizados tanto no campo como na produção de rações, nas granjas e nos pomares.

Máquinas utilizadas para a colheita de grãos e tratores têm grande peso nessa conta, que atingiu US$ 800 milhões no ano passado. As importações de arroz, após a aceleração de 2020, recuaram em 2021, tanto no volume como no valor.

Um dos líderes na exportação mundial de carnes, as importações brasileiras de proteínas atingiram US$ 341 milhões no ano passado, com evolução de 29% sobre 2020.

Um dos motivos da aceleração dos gastos brasileiros em 2021 foi a alta dos preços internacionais. Em média, os adubos custaram, em dezembro, 129% a mais do que no mesmo mês de 2020. A alta do milho foi de 57%; a da soja, 33%, e a do trigo, 23%.As exportações brasileiras do agronegócio mantiveram, em 2021, uma forte aceleração, com os valores ficando próximos dos US$ 120 bilhões.

As vendas externas de soja, o carro-chefe da balança do agronegócio, subiram para 85,85 milhões de toneladas, com receitas de US$ 38,4 bilhões. Ambos os valores são recordes.

Já as carnes frescas, refrigeradas e congeladas, mesmo com o bloqueio chinês por três meses e meio da carne bovina, atingiram US$ 18 bilhões, com alta de 13% em relação a 2020.

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