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Os contratos futuros do açúcar fecharam a semana em alta após cortes nas projeções de produção no Brasil, o maior produtor mundial. Durante a sessão de sexta-feira (13) o contrato com vencimento em outubro/21 da bolsa de Nova York chegou a bater os 20 centavos de dólar por libra-peso.

açúcar bruto para outubro/21 fechou a sexta-feira em 19,95 cts/lb, valorização de 41 pontos, ou 2,1%, no comparativo com os preços da véspera. Já a tela março/22 subiu 41 pontos, também, negociada em 20,52 cts/lb. Os demais lotes fecharam valorizados entre 13 e 31 pontos.

Segundo a Reuters, “a produção de açúcar do centro-sul do Brasil em 2021/22 deverá recuar para 32,5 milhões de toneladas, ante estimativa de 34,1 milhões de toneladas publicada em junho, devido aos danos causados pela seca e por geadas à safra de cana-de-açúcar, disse a trader de alimentos Czarnikow”.

Ainda segundo operadores ouvidos pela Agência de Notícias, o açúcar tem viés de alta devido ao cenário de produção no Brasil, mas acrescentou que deve ter um limite para os ganhos em curto prazo, com a demanda física reduzida e as taxas de frete oscilando em torno da máxima em 10 anos.

Açúcar branco

Em Londres o açúcar branco também fechou a sexta-feira em alta em todos os lotes. Na sexta-feira, os contratos com vencimento outubro/21 fecharam cotados em US$ 491,10 a tonelada, alta de 15 dólares. Já a tela dezembro/21 subiu 12,90 dólares, negociado em US$ 508,80 a tonelada. As demais telas subiram entre 3,40 e 12 dólares.

Açúcar cristal

No mercado doméstico a sexta-feira fechou praticamente estável com pequena variação negativa. A saca de 50 quilos foi negociada em R$ 125,52, contra R$ 125,55 a saca de quinta-feira, desvalorização de 0,02%, segundo o Indicador Cepea/Esalq, da USP.

Análise

Em sua análise semanal do mercado de açúcar, o diretor da Archer Consulting, Arnaldo Luiz Corrêa destacou que “agora precisamos criar uma narrativa que dê um sentido fundamentalista a tudo que está acontecendo, pois não é do nosso feitio assistir atônito a um mercado que explode na nossa cara sem que tenhamos uma boa e convincente explicação. Pode ser o número de moagem da UNICA (como se esse número fosse novidade), ou a constatação de que “realmente” a seca e a geada mataram o canavial. Ou podemos dizer que as estimativas de algumas tradings que apontam para uma moagem perto de 520 milhões de toneladas de cana são a expressão máxima da verdade irrefutável”.

“E não vamos estragar essa narrativa tão bem construída apontando que as tradings estão pedindo para as usinas atrasarem o embarque, uma clara demonstração de que o mercado físico é fraco. Ou ainda, citar que o spread outubro/março abriu para 52 pontos, que correspondem a um desconto de 6.4% ao ano, sinalizando que seja lá quem for o detentor de açúcar para recebimento em outubro está querendo se livrar desse mico, pois não tem destino para ele nesse momento”, destacou.

O diretor da Archer ainda argumentou “irrefutável é o fato de que o mercado futuro de açúcar em NY assistiu a uma cobertura de posição quase beirando ao pânico, com stops de compra sendo acionados ao longo dos últimos pregões, fazendo com que o vencimento outubro/21 encerrasse a sessão de sexta-feira cotado a 20.10 centavos de dólar por libra-peso, na máxima do dia, o maior preço registrado no açúcar desde o pregão do dia 24 de fevereiro de 2017″.

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