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A partir desta sexta-feira, a brasileira Copersucar SA assume a liderança do comércio global de açúcar, que movimenta cerca de US$ 20 bilhões por ano, segundo estimativas de mercado que consideram os preços da última safra.

A posição, almejada há uma década pela companhia, foi garantida com a conclusão da compra da participação da americana Cargill na Alvean, que transformou a companhia brasileira na única acionista da trading. A transação, concluída nesta quinta-feira por um valor não revelado, foi aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

O avanço da Copersucar no comércio global de açúcar acontece em um dos momentos mais favoráveis aos produtores da commodity nos últimos cinco anos, com preços sustentados pela oferta restrita em meio a uma demanda que começa a se recuperar dos efeitos negativos da pandemia do novo coronavírus.

Mesmo assim, o movimento da brasileira destoa do de outras grandes tradings, como a própria Cargill e a também americana Bunge, que preferiram sair do comércio de açúcar, e de outras menores, como Louis Dreyfus Company, Czarnikow e Sucden, que têm outras commodities em seu portfólio. Algumas dessas empresas seguem em busca de maior diversificação.

Ao mesmo tempo, começa a operar nesse mercado hoje em expansão outra brasileira de peso, a Raízen, que nos últimos meses ampliou a aposta em sua plataforma de venda de açúcar próprio e de terceiros a clientes finais.

Na última safra (2020/21), a Alvean comercializou 14 milhões de toneladas de açúcar bruto de diferentes produtores no mundo, o que representou 20% do comércio global da commodity. No Brasil, que no ano passado consolidou-se como o maior país exportador de açúcar do mundo, a Alvean teve participação de aproximadamente 30% das exportações – pouco menos de 10 milhões de toneladas.

Ao assumir a totalidade da Alvean, a Copersucar SA cumpre a principal meta estabelecida quando foi criada, em 2011, que era liderar o comércio global da commodity. “Esse movimento era uma ambição da Copersucar SA desde que ela foi formada, e fazia parte do planejamento estratégico”, afirmou Luis Roberto Pogetti, presidente do conselho da companhia, ao Valor.

A compra da fatia da Cargill e a apresentação do negócio ao Cade ocorreram em 31 de março. No dia 1º de junho, a Superintendência-Geral do órgão antitruste já havia publicado despacho indicando aprovação ao acordo.

Na avaliação da Superintendência, os números de movimentação de açúcar nos portos brasileiros pela Alvean mostraram a “impossibilidade” de fechamento do mercado para outros exportadores no porto de Santos, e indicaram que a empresa “dificilmente” teria a capacidade de influenciar a oferta no exterior.

Segundo Pogetti, o “plano A” da Copersucar para a Alvean é “buscar crescimento por meio de eficiência”. Ele não descarta, porém, a possibilidade de ter um novo sócio na trading, lembrando que a Copersucar prefere parceiros estratégicos – como era a Cargill -, e não simplesmente financeiros.

Ele ressaltou que a Copersucar tem em seu “DNA” a lógica de parcerias nos negócios – seja pela formação da cooperativa, pelo histórico de parcerias no passado na trading Eco-Energy (que opera no mercado americano), ou por outros negócios como a Opla, que gere o Terminal de Combustíveis de Paulínia, com a britânica BP.

Por ora, enquanto subsidiária da Copersucar, a Alvean continuará operando de forma independente e “manterá seu planejamento estratégico, que é aumentar sua eficiência e presença no mercado global de açúcar”, disse.

A opção pela escala e o foco em açúcar são estratégias que se mantêm intocadas. “Entendemos que é viável a gente ampliar participação no mercado como processo natural de crescimento”, disse o executivo. Para ele, o crescimento de competidores como a Raízen no negócio “vai levar um tempo para se consolidar”, mas é uma busca “natural para quem ganha escala na produção”.

Para a Copersucar, a estrutura atual da trading, com sete escritórios espalhados no mundo, é suficiente para atender à demanda de clientes que hoje estão espalhados por 80 países, disse. A Alvean continuará utilizando a estrutura da Cargill para a exportação, mas agora como cliente. “Isso nos garante uma eficiência de movimentação bastante diferenciada”, disse o executivo.

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