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Crédito “verde” da Tereos no Brasil já chega a R$ 1 bilhão

Tereos Brasil /Foto:Ilustrativa
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Segunda maior produtora de açúcar do país, a Tereos Açúcar e Energia Brasil, braço da cooperativa francesa Tereos, acertou novas operações de crédito relacionadas a projetos e critérios de sustentabilidade ambiental no mês passado e encerrou a última safra sucroalcooleira (2020/21), com mais de R$ 1 bilhão em financiamentos “verdes”, um montante equivalente a quase um terço de toda a sua dívida.

Apenas em março, a companhia concluiu a emissão de R$ 348 milhões em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) certificados pela consultoria Sitawi, especializada em finanças sustentáveis, e também recebeu US$ 30 milhões da Instituição Financeira de Desenvolvimento da França, a Proparco, para financiar a nova planta-piloto de biogás que está construindo em parceria com a Zeg Biogás e a Zeg Renováveis na Usina Cruz Alta, situada em Olímpia (SP), entre outros projetos – como na área de redução de consumo de água.

Em junho do ano passado, a companhia já havia acertado um empréstimo sindicalizado de US$ 105 milhões que condicionou a taxa de juros ao atendimento de metas ambientais. As três operações citadas, portanto, totalizam R$ 1,041 bilhão, se os dois financiamentos em dólar forem convertidos às taxas de câmbio do momento da contratação (R$ 5 e R$ 5,60, respectivamente).

No fim do segundo trimestre da safra 2020/21, a dívida da Tereos Açúcar e Energia Brasil era da ordem de R$ 4,3 bilhões. A companhia ainda não divulgou seus resultados financeiros do encerramento da temporada, mas Pierre Santoul, que assumiu neste mês o cargo de diretor-presidente da Tereos Brasil – que envolve os negócios de açúcar, energia, amidos e commodities -, adiantou que o valor da dívida relacionada a empréstimos verdes é “quase um terço” do total.

Segundo o executivo, as quatro metas ambientais estabelecidas na primeira operação, com um sindicato de bancos, já estão sendo superadas pela empresa, o que ajuda a reduzir o custo financeiro de sua dívida. Na última safra, para cada tonelada de cana processada a companhia emitiu 35 quilos de gás carbônico e consumiu 796 litros de água, uma redução de 13% e 5%, respectivamente, em relação ao ciclo anterior. Para ambos os indicadores, o acordo é que as reduções sejam de 5% ao ano até o fim do contrato, de cinco anos.

Além disso, a Tereos também ampliou a parcela de sua cana que é certificada pela Bonsucro, uma das principais iniciativas de sustentabilidade no setor sucroalcooleiro, para 29% do total da moagem, que na safra passada alcançou 20,9 milhões de toneladas de cana. O percentual ficou 2 pontos acima da meta estabelecida. Por fim, a companhia alcançou uma nota de avaliação pela plataforma EcoVadis de 71, em 100 – a meta era chegar a 64.

O cumprimento das metas tem a capacidade de reduzir em 0,05% o custo financeiro da dívida, segundo Santoul. Mas, mais do que a diminuição da despesa financeira, a aposta em financiamentos verdes é encarada pelo executivo como uma estratégia para atrair novos investidores. “Isso gera uma atratividade aos investidores, que é o impacto mais importante – e, principalmente, com investidores internacionais”, afirmou Santoul, que dentre as operações da Tereos no Brasil já comandava a unidade de Açúcar e Energia desde 2015. Segundo o executivo, quando a empresa coloca a sustentabilidade atrelada a sua estratégia operacional, amplia a pressão por melhorias de desempenho.

Para a safra atual, que começou em 1º de abril, a companhia já espera uma redução de 5% na quantidade de cana disponível para moagem após a forte seca do ano passado e da estiagem durante o verão. Mas isso não tira o otimismo com relação aos resultados, já que a companhia aproveitou o período de preços internacionais de açúcar e de câmbio elevados e já acertou o preço de exportação de 80% do açúcar que pretende exportar. Por isso, deve maximizar sua produção do adoçante, que deverá representar 65% da cana a ser processada.

Segundo Santoul, mesmo com o efeito do câmbio no aumento dos custos de insumos, a Tereos não diminuirá o ritmo de investimentos – e está realizando aportes em inovação, como em sistemas de acompanhamento das operações agrícolas em tempo real e na introdução de seis novas colhedoras que colhem duas linhas de cana simultaneamente.

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