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/CANA: FLORESCIMENTO PODE SER PROBLEMA PARA SAFRA 2019/20

De acordo com dados do monitoramento climático da consultoria Datagro, a safra 2019/20 no Centro-Sul deve apresentar uma série de áreas com florescimento. Segundo levantamentos, o período de indução floral teve início no dia 20 de fevereiro, terminando no último dia 20 de março.

O florescimento da cana-de-açúcar pode causar sérios prejuízos e perdas, impactando a produtividade e comprometendo o processo de extração de açúcar na indústria. Segundo especialistas, três variáveis climáticas são determinantes para o fenômeno. A primeira é a baixa variação da temperatura, seguida da precipitação acima de 200 m e da baixa radiação solar por pelo menos 10 dias.

Mesmo variedades não floríferas, quando colocadas em regiões onde as condicionantes são altamente favoráveis, podem sofrer este efeito, florescendo e causando danos no rendimento da cultura. Alterações morfológicas e fisiológicas são os primeiros sintomas prejudiciais do florescimento, que acaba causando um acúmulo de sacarose na cana-de-açúcar.

AÇÚCAR DEVE VOLTAR A GANHAR ESPAÇO NO MIX DA SAFRA 2019/20

Considerando-se a redução dos preços do Petróleo no mercado internacional e a política de precificação da gasolina adotada pela Petrobrás no mercado doméstico, a qual acompanha as oscilações de preços do mercado externo, espera-se uma redução da competitividade do etanol hidratado frente à gasolina. Desta forma, segundo o Economista e Gestor de Projetos do Pecege (Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas), Harodo Silva, em artigo publicado, na safra 2019/20 as usinas brasileiras migrarão uma parcela maior da cana-de-açúcar para a produção de açúcar se comparado à safra anterior. Mesmo nesse cenário, ainda será uma safra mais alcooleira, embora num nível menor do que a 2018/2019.

Para ele, os custos agrícolas são o principal desafio do setor porque o rendimento do canavial, em toneladas de ATR/ha, está abaixo do potencial e da própria média histórica do setor. “Apesar da condição financeira difícil, setor produtivo precisa manter os esforços para a redução de custos e ampliação da eficiência produtiva. Apesar das expectativas de recuperação da produtividade agrícola, é preciso ponderar que haverá uma maior pressão sob os custos dos insumos agrícolas na safra 2019/20, com destaque para os defensivos, em função da redução dos níveis de estoques e aumento dos custos de produção na China. O aumento dos custos de produção dos insumos agrícolas poderá limitar a melhora no manejo e nos tratos culturais e, por conseguinte, da produtividade”, conclui.

CONSECANA-SP ESTABELECE NOVOS PARÂMETROS ASSOCIADOS À QUALIDADE DO CALDO DA CANA

A diretoria do Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Etanol do Estado de São Paulo (Consecana-SP) aprovou documento de Atualização do Modelo Consecana-SP, com objetivo de ampliar a sustentabilidade econômica do setor sucroenergético. Um novo parâmetro técnico, associado à qualidade da matéria-prima, foi instituído para a safra 2019/20. Esse novo critério estabelece que os fornecedores que apresentarem pureza do caldo da cana-de-açúcar superior ao índice médio registrado para toda a cana processada na quinzena terão direito a prêmio, a ser pago pela indústria.

Essa mudança faz parte do compromisso de atualização periódica do Modelo e tem como base a impossibilidade de se estabelecer parâmetros que representem de forma única e geral a diversidade nas regiões produtoras, além das alterações de mercado observadas nos últimos anos. O documento também reconhece que as partes aderentes ao Sistema, unidades de processamento de cana e fornecedores, são soberanas em suas relações comercias. Dessa forma, poderão negociar e definir parâmetros de bonificação/premiação de maneira complementar à referência técnica de precificação da cana definida pelo Consecana-SP.

Em 2019, 23% das usinas brasileiras estarão paradas

As usinas brasileiras, que alcançaram seu melhor momento antes da crise de 2008, deverão passar por mais um ano complicado. De acordo com dados da RPA Consultoria, a temporada 2019/20 registrará 101 usinas paradas no país, o que representa 23% do total de 444 unidades.

Com os dados cedidos pela RPA Consultoria, é possível constatar que, das usinas em funcionamento, 24% estão em situação mais complicada. Os números mostram que, 18% destas estão em recuperação, uma reorganização econômica, administrativa e financeira de uma empresa, feita com a intermediação da justiça para evitar a sua falência, enquanto 6% já tiveram falência decretada.

O percentual de 18% de usinas em recuperação judicial poderá aumentar ainda mais em 2019. Isso porque, segundo Ricardo Pinto, diretor da RPA Consultoria, mais 20 unidades espalhadas pelo Brasil podem entrar, ainda neste ano, no modelo de reorganização econômica afim de evitar a sua falência.

Para ele, teremos mais um ciclo difícil para as indústrias da matéria-prima. “É mais um ano complicado para o setor, onde a gente não vê sinais de melhora significativa de preços. Em contrapartida, podemos notar sinais de uma produção menor. Isso porque devemos ter um canavial um pouco menor neste ano ante ao do passado”, finaliza Ricardo.