Executivo – Uma vida dedicada ao setor

José Pedro Andrade

Naturalidade – Pontal, SP
Idade – 57 anos
Estado Civil – Casado, tem dois filhos e uma neta 
Formação –Técnico Agrícola pela Unesp Jaboticabal, SP 
Cargo – Diretor e sócio fundador da Usina Cerradão 
Hobbies –
Pescar e jogar tênis
Filosofia de vida – 
Acreditar no que faz

Redação

O executivo deste mês nasceu dentro de um engenho de cana-de-açúcar. Filho de pais produtores de cana e aguardente, José Pedro Andrade, também conhecido como Zé Pedro, sócio fundador da Usina Cerradão, localizada em Frutal, Minas Gerais, desenvolveu, desde muito pequeno, uma relação bastante forte com a cana-de-açúcar, cultura a qual tem dedicado toda a sua vida. Sempre disposto a aprender, desenvolveu-se como um líder dinâmico e que gosta mesmo é de colocar a mão na massa. Ele faz questão de segurar as rédeas da empresa que divide com a família Queiroz.“Nasci em meio a cana-de-açúcar. Meus pais tinham um engenho de aguardente e isso fez com que eu desenvolvesse uma ligação muito forte com o setor.”

Técnico agrícola de formação, Andrade revela que chegou a começar a graduação em Administração, mas a perda de um de seus irmãos interrompeu seus planos. “Quando terminei meu curso técnico, cheguei a iniciar a graduação de Administração de Empresas. Na época, eu tinha 19 anos e morava em Pitangueiras, SP. No entanto, neste meio tempo, perdi meu irmão mais velho. Com isso, tive que sair da faculdade e passei a me dedicar, junto ao meu outro irmão, João Batista Andrade, à indústria de aguardente Pitangueiras, que se transformou em Usina Pitangueiras”, relata.

Desde então, Andrade e seu irmão tornaram-se responsáveis pela administração da Usina Pitangueiras. No começo as coisas não foram nada fáceis e o executivo conta que teve de aprender quase tudo na garra. “Tive que aprender tudo na prática. Começamos fazendo aguardente – no último ano, conseguimos fazer quase 100 milhões de l da bebida. Depois de um tempo, fomos fazendo a transição da indústria para produzir etanol, açúcar e energia.”

USINA CERRADÃO

Após muitos anos à frente a Usina Pitangueiras junto com o irmão, surgiu a ideia expandir os negócios e construir uma nova usina. Quem deu a ideia foi a irmã, que morava em Frutal, MG e conhecia a família Queiroz, que já produzia cana-de-açúcar na região. Foi então que Andrade marcou uma reunião com a família e dias depois dava início a construção de uma nova usina, a Cerradão.

“A sociedade se deu por uma observação de minha irmã mais velha que nos questionou sobre o porquê de não montarmos uma usina naquela região, aproveitando a disponibilidade de áreas e as ótimas topografias para a produção de cana. Como na época não tínhamos condições de tocar um projeto sozinho, minha irmã sugeriu a família Queiroz, que já possuía áreas de excelentes localizações. Fomos apresentados, marcamos uma reunião e em pouco mais de 20 dias concluímos a parceria e demos início ao projeto”, conta Andrade.

Andrade: “Posso dizer que me sinto muito realizado, pois em todos estes anos de trabalho e vida, meus
projetossempre deram muito certo”

A materialização do empreendimento iniciou-se com a constituição da Cerradão em 1° de junho de 2006. A usina foi concebida para uma moagem de até 2,4 milhões t de cana-de-açúcar, em sua primeira fase. A operação efetiva da empresa iniciou-se no ciclo 2009/10, com a moagem de 785 mil t de cana.

A parceria entre a família Andrade e Queiroz continua. No entanto, no meio do caminho, os irmãos Andrade resolveram se separar. No entanto, a separação não foi como a maioria, na base da briga. Ele revela que o processo foi feito de maneira amigável, o que fez com que a relação entre os irmãos continuasse inabalável até os dias de hoje. “Durante a separação ficou decidido que eu [José Pedro Andrade] ficaria com os Queiroz, na usina Cerradão e meu irmão ficaria com na Usina Pitangueiras. Hoje, eu e meu irmão, só em rancho, pescando e curtindo a vida [risos].”

Além da participação ativa nas decisões administrativas com os sócios, Andrade e o filho ficaram responsáveis pela área industrial da usina, enquanto a família Queiroz cuida da área agrícola.

O QUE VEM POR AÍ

Para Andrade, a principal dificuldade enfrentada neste tempo de usina é o fato de que o setor vem passando, há anos, por momentos muito delicados. “Os preços são um dos principais pontos desta dificuldade. Tanto é que várias empresas do setor estão enfrentando dificuldades para cumprir com seus compromissos.” Ao longo destes anos a frente do grupo, ele destaca que uma das grandes conquistas da Cerradão foi o crescimento médio anual de moagem nos últimos oito anos, que chegou a 20%, mesmo em tempos de crise.

Para que o crescimento não pare, a Usina Cerradão conseguiu, no ano passado, um empréstimo de R$ 50 milhões para concluir, em 2017, a instalação na unidade de uma segunda caldeira a vapor para a produção de energia a partir da biomassa. “A caldeira e os demais equipamentos entram em atividade em maio deste ano.”, frisa.

Na safra 2016/17 a usina moeu um pouco mais de 2,7 milhões de t de cana-de-açúcar e com os investimentos, a capacidade da usina fica pronta para 5 milhões de t. “A nossa estimativa para safra 2017/18 é de moer 2,8 milhões t, o que seria um recorde. Mas como a condição climática tem sido favorável até o momento, talvez iremos chegar a 3 milhões de t”, salienta o executivo.

O desejo é chegar, nos próximos anos, a moagem de 5 milhões de t. Hoje, 80% de toda cana usada na moagem é advinda da própria usina. A expectativa é de que no futuro a conta feche com a metade da cana vinda de fornecedores e a outra metade vinda da usina.

Quando tem um tempo livre, Andrade viaja
paraseu ranchopara pescar

O mix da safra 2017/18 deve ficar em 65% para o açúcar e 35% para o etanol. Além disso, a Cerradão também produz energia. “Hoje produzimos 35 MWh de energia diária, sendo em média 20 MWh exportada, e com a entrada em operação da nova caldeira, teremos capacidade para chegar a produção de 55 MW/h onde 38 MWh serão exportados.”

Para Andrade, ainda é difícil saber quando o setor irá, de fato, se recuperar. “É difícil prever, porque o etanol fica condicionado a 70% do preço da gasolina e o açúcar sendo uma commodity, fica aquém do mercado internacional, e isso sempre foi assim, de altos e baixos. Mas espero melhoras, sou sempre otimista”, avalia.

FÃ DE TÊNIS, APAIXONADO POR PESCARIA

Pai de dois filhos e casado com Maria Artêmia de Castro Andrade, o executivo não esconde a paixão pela única neta, com quem ele faz questão de aproveitar todo o tempo possível.

Com uma rotina de vida bem equilibrada entre Ribeirão Preto, onde reside e tem seu escritório e Frutal, Andrade sempre encontra um tempo para jogar tênis e, nos feriados prolongados ou nas férias, viaja para seu rancho próximo a Presidente Prudente com os amigos e família para praticar seu hobby predileto, a pescaria.

Ele diz que já não tem nenhum sonho que ele não realizou ou não possa realizar. Segue a filosofia de vida de acreditar no que faz sem ter medo de enfrentar os desafios. “Posso dizer que me sinto muito realizado, pois em todos estes anos de trabalho e vida, meus projetos sempre deram muito certo.”

(Colaboração de Alisson Henrique)

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