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A Índia deve ficar abaixo de sua meta para as exportações de açúcar neste ano por causa do atraso nos embarques e desafios logísticos, o que pode impulsionar ainda mais o rali da commodity.

O segundo maior produtor mundial, atualmente com enormes estoques, deve exportar quase 20% menos do que a meta do governo e da previsão de uma importante associação, segundo a mediana de sete estimativas em pesquisa da Bloomberg com tradings e analistas.

O risco surge justo quando o mercado global está sob pressão. Os futuros do açúcar bruto registraram o décimo mês de ganhos em fevereiro, o período mais longo de alta segundo dados de bolsa das últimas seis décadas. Com um mercado apertado por causa de safras menores na Tailândia e na União Europeia, juntamente com a forte demanda na Ásia, a queda das exportações indianas pode fornecer mais estímulo para o mercado.

“Embora os preços mundiais tenham subido, as exportações não atingirão a meta”, disse Yatin Wadhwana, diretor da empresa de consultoria e comercialização de commodities Gradient Commercial. A Índia começou a exportar mais tarde do que o normal devido ao atraso dos subsídios do governo, enquanto a falta de contêineres e a aproximação da estação das monções irão dificultar os carregamentos nos portos, disse.

Os estoques do país estão cheios após uma série de supersafras impulsionadas pelos preços domésticos, que estão acima dos níveis globais. O governo concedeu uma forma de subsídio para reduzir a diferença, mas que não será suficiente para atingir a meta.

Os embarques podem ser de apenas 4,9 milhões de toneladas no ano que termina em setembro, segundo o levantamento. Isso se compara à meta do governo de 6 milhões de toneladas e às previsões da Indian Sugar Mills Association de um volume semelhante. O país exportou um recorde de 5,95 milhões de toneladas em 2019-20.

A escassez de contêineres e a competição por serviços de transporte marítimo de empresas que exportam quantidades crescentes de arroz e farelo de oleaginosas contribuem para os atrasos.

A maioria do mercado esperava que as exportações da Índia fossem altas no primeiro e segundo trimestres de 2021, já que a grande safra doméstica foi “bem telegrafada ao mercado”, disse Tom McNeill, diretor da Green Pool Commodity Specialists, empresa de pesquisa com sede em Brisbane, Austrália. “Isso agora levou a uma grande desconexão no mercado – há muito estoque na Índia para ser exportado, mas muito pouco saiu até agora”, disse em relatório.

Com o fim da safra, não haverá muito tempo para as usinas aumentarem a produção de açúcar bruto para exportação. Processadores podem ter que vender açúcar branco de baixa qualidade a granel em vez de açúcar bruto, e isso pode reduzir os possíveis destinos de venda.

Ainda assim, alguns analistas e representantes do setor estimam que as exportações ainda serão recordes pelo segundo ano em 2020-21, já que com a forte demanda, preços globais elevados e subsídios a Índia pode vender 6 milhões de toneladas até 30 de setembro.

A produção doméstica deve aumentar 10%, para 30,2 milhões de toneladas em 2020-21 por causa das chuvas de monções, de acordo com a Indian Sugar Mills Association. No início da atual temporada, a Índia tinha 10,7 milhões de toneladas de reservas, o suficiente para atender a demanda local por cerca de cinco meses.

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