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Novo centro voltado para pesquisa sobre etanol quer incentivar produção de milho em SP

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Projeto terá como instituição-sede o Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético

O potencial do milho como matéria-prima para a produção de etanol no estado de São Paulo é o foco do Centro de Ciência para o Desenvolvimento do Etanol (CCD Etanol), projeto recém-aprovado pelo programa Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid), financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

O CDD-Etanol terá como instituição-sede o Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético (Nipe), da Unicamp.

O pesquisador responsável do projeto é Luis Augusto Barbosa Cortez, professor aposentado da Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri) e pesquisador colaborador do Nipe. “Sempre trabalhei com o tema etanol. No começo dos anos 2000, fizemos um grande road map do etanol, com a realização de 25 workshops.

“Hoje, nos 50 anos do Proálcool, temos um modelo vencedor de produção sustentável de etanol, açúcar e bioeletricidade, mas, nos últimos anos, o setor vem diversificando suas ações usando outras matérias-primas, como o milho”, explica Cortez.

“No momento, os Estados Unidos são o país mais avançado em etanol, com 60 bilhões de litros produzidos a partir do milho. No Brasil, são 38 milhões, 75% provenientes da cana-de-açúcar e 25% do milho. Mas, em São Paulo, ainda não temos etanol de milho”, destaca o pesquisador, que acrescenta: “Não se trata de colocar um contra o outro, na verdade, a melhor fórmula é unir os dois.”

Segundo Cortez, o etanol de cana-de-açúcar tem vantagens, já que a produção por hectare é maior. “A cana rende 7 mil litros por hectare, e o milho rende 4,5 mil litros. Mas o milho apresenta uma característica diferente, já que há a produção de um farelo proteico que pode alimentar o gado”, detalha, mencionando o DDG, ou grãos secos de destilaria.

O pesquisador ressalta que uma das intenções do programa é “enxugar o pasto”. Ele completa: “O gado ocupa 160 milhões de hectares, um quinto da área do Brasil. Com o farelo, poderíamos reduzir a área de pastagem e incentivar a produção de milho”.

A cultura da cana tem, ainda, o problema da sazonalidade, mas conta com a cogeração. “A desvantagem do milho é que não tem o bagaço, mas a usina poderia operar o ano inteiro, e boa parte dos equipamentos são os mesmos. O milho não requer tanto investimento quanto a cana”, destaca.

Cortez lembra que o Brasil tem cerca de 400 usinas em operação, 170 delas no estado de São Paulo. Para levar seu projeto adiante, o pesquisador pretende criar uma série de ações de convencimento, baseadas em resultados de pesquisas e em workshops para o poder público municipal. “As prefeituras serão nossas aliadas”, diz.

O CCD Etanol deverá reunir uma equipe de dez pesquisadores, que serão selecionados até o final do ano. São instituições parceiras a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (Saasp), a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa do Agronegócio (Fundepag) e a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA).

Participam ainda como instituições de pesquisas associadas o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), a Embrapa Territorial, o Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), o Instituto de Zootecnia (IZ) e o Instituto de Energia e Ambiente (IEE-USP).

Jornal da Unicamp| Daniela Prandi

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