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Cana transgênica com dupla resistência à broca e glifosato pode chegar ao mercado em 2027

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Pangeia Biotech finaliza testes com variedades de cana RB e prepara submissão do dossiê à CTNBio

A biotecnologia aplicada à cana-de-açúcar pode estar prestes a dar um novo salto no Brasil. Após obter o licenciamento do germoplasma RB junto à Universidade Federal de Viçosa (UFV), a PangeiaBiotech avança na etapa decisiva de desenvolvimento de variedades geneticamente modificadas e projeta a submissão do dossiê regulatório à CTNBio no início de 2027.

“Os agricultores terão em um curto espaço de tempo duas variedades entre as Top 5 mais plantadas no Brasil com biotecnologia inédita na cultura da cana: dupla resistência à broca-da-cana e ao herbicida glifosato.”

A afirmação é de Paulo De Lucca, diretor da PangeiaBiotech, ao detalhar, em entrevista exclusiva à RPAnews, o estágio atual das variedades RB127825 e RB867515 geneticamente modificadas. Segundo a empresa, os trabalhos laboratoriais começaram há três anos e já resultaram na seleção de eventos elite das duas cultivares, ambas amplamente difundidas no campo.

Os materiais incorporam dois genes Bt para controle da broca-da-cana e um gene de tolerância ao glifosato. De acordo com o executivo, o critério central na escolha dos eventos elite foi a produtividade. Na RB127825, por exemplo, foram produzidos 400 eventos, dos quais 151 foram testados em campo até a definição do material final. A companhia afirma que os eventos selecionados são, no mínimo, igualmente produtivos aos originais.

A decisão de utilizar germoplasma RB já consolidado no campo, segundo o diretor, foi estratégica. Ele avalia que tentativas anteriores de desenvolver variedades próprias para posteriormente inserir genes de resistência retardaram o avanço da biotecnologia na cultura. “São necessários pelo menos 10 anos para produzir uma boa variedade. Para que gastar esse tempo se a RIDESA faz isso há quase 50 anos produzindo as melhores variedades?”, questiona.

Para atender às exigências da CTNBio, em fevereiro de 2026 serão implantados testes finais em três regiões agrícolas distintas. A coleta dos dados está prevista para o início de 2027, seguida da consolidação do dossiê técnico e submissão formal ao órgão regulador no primeiro trimestre do próximo ano.

A expectativa é concluir o processo de desregulamentação em até 18 meses após a submissão. Segundo De Lucca, o principal gargalo já foi superado com a obtenção dos eventos elite. “Falta o plantio em três campos, coletar os dados, compor o dossiê e defendê-lo junto à CTNBio. Temos uma equipe muito competente multidisciplinar atuando nessa última etapa”, afirma.

Caso o cronograma seja mantido, a comercialização poderá iniciar ainda no primeiro semestre de 2027.

Impacto no manejo e novo modelo de licenciamento

Em relação à tecnologia Bt, a utilização de dois genes inseticidas é apresentada como estratégia para ampliar a durabilidade da resistência à broca-da-cana. “É como se tivesse duas vacinas com modos de ação diferentes atacando a mesma doença. O tempo necessário para a broca criar resistência será muito maior quando comparado à tecnologia atual que emprega um gene Bt”, afirma De Lucca.

A tolerância ao glifosato, segundo o executivo, representa um diferencial econômico relevante. Com base em estudos conduzidos pela Embrapa Agroenergia, ele destaca que o valor comercial do trait RR pode superar o da resistência à broca. A tecnologia permitiria manter o canavial mais limpo ao longo dos anos, sem efeitos de toxicidade à cultura, além de abrir espaço, no futuro, para sistemas como o plantio direto na cana.

De acordo com estimativas mencionadas pela empresa, a adoção combinada das tecnologias pode gerar economia de pelo menos R$ 1 mil por hectare ao ano no manejo da cultura.

Paralelamente ao avanço técnico, a Pangeia estruturou um modelo de pré-licenciamento com grupos usineiros interessados em participar da fase final de desenvolvimento. Nessa etapa, as usinas disponibilizam áreas seguras — de até dois mil metros quadrados — para implantação dos campos experimentais, enquanto toda a coordenação regulatória é conduzida pela Pangeia e empresas parceiras especializadas. A unidade parceira entra com o manejo agrícola e acompanhamento técnico dos testes. Após a avaliação da cana-planta e, uma vez obtida a desregulamentação, as variedades poderão ser utilizadas na formação de viveiros primários.

Segundo De Lucca, o modelo comercial deverá se diferenciar do padrão atual do mercado, baseado na cobrança por hectare cultivado ao ano. A empresa pretende firmar acordos individuais com grupos interessados em incorporar biotecnologia e engenharia genética ao sistema de produção agrícola. Além do modelo tradicional, a Pangeia estuda oferecer contratos com valor fixo anual, permitindo que a usina cultive a área que desejar dentro do período contratado.

Além das variedades RB127825 e RB867515 com dupla resistência à broca e tolerância ao glifosato, a companhia informa já possuir eventos elite com resistência ao Sphenophorus, desenvolvidos em parceria com a Embrapa Agroenergia de Brasília e a Embrapa Milho e Sorgo de Sete Lagoas. Também está em teste um trait de tolerância à seca, já comercial em outras culturas no Brasil, que deverá ser combinado aos genes Bt e RR.

Segundo De Lucca, a estratégia prevê ampliar gradualmente o portfólio. “Vamos lançar anualmente de um a dois novos produtos.”

Natália Cherubin para RPAnews

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