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Vinte minutos. Esse foi o tempo que o fogo precisou para consumir os cerca de 700 hectares da plantação de cana-de-açúcar do produtor Luiz Odilon em um dos vários incêndios que atingiram a região de Ribeirão Preto (SP) no segundo semestre deste ano. Da fazenda em Jardinópolis (SP), praticamente só sobrou a sede, uma vez que o pasto e parte de uma reserva ecológica também foram consumidos.

“Foram 700 hectares, 99% queimaram em 20 minutos em um fogo com uma velocidade de 60 km/h. Infelizmente, foi toda a área de preservação que temos na fazenda, todas as matas, nascentes. Esse foi nosso maior prejuízo.”

O caso de Jardinópolis personifica a dimensão dos estragos provocados por incêndios durante os últimos meses. Um levantamento da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) apontou que, desde agosto deste ano, 3% das plantações de cana-de-açúcar do estado de São Paulo foram destruídas dessa maneira.

O número, conforme a pesquisa, equivale a 150 mil hectares queimados no estado durante o período. Estragos esses que não devem trazer consequências apenas para a safra atual.

“Além de afetar essa safra, vamos ter consequências para a próxima safra, em função de pragas, que, com a seca, aumentaram demais, e agora com esses fogos criminosos que ocorreram na nossa região”, ressalta o produtor.

Apesar de todo o prejuízo, Odilon busca olhar por um lado otimista da situação. Para ele, o fato de ninguém ter se ferido é motivo de agradecimento, assim como a chuva que caiu nos últimos dias, algo que aponta como primordial para reverter o cenário atual.

“Graças a Deus, ninguém se machucou, não queimou nenhuma casa, nenhuma instalação e nenhum equipamento. E todos os animais da fazenda sobreviveram. Temos que agradecer a Deus e agradecer muito mais agora porque veio ontem uma chuva. Isso é uma bênção para toda a região.”

Prejuízos no Centro-Sul

Um relatório divulgado recentemente pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pela consultoria Datagro mostra que a Região Centro-Sul do país teve aumento de incêndios em canaviais nos últimos dois meses, quando comparados ao mesmo período dos dois anos anteriores.

Em relação a 2019, por exemplo, o número de focos entre agosto e setembro de 2021 chega a ser quase quatro vezes maior, de acordo com o balanço.

Esse problema, associado ao das geadas, levou a Unica a prever em agosto uma quebra histórica de 75 milhões de toneladas de cana, o que seria a pior safra de cana-de-açúcar dos últimos dez anos na região.

Diante disso, Plínio Nastari, presidente da Datagro, acredita em uma entressafra mais prolongada e pede conscientização às pessoas, já que considera que a grande parte dos incêndios é criminosa.

“Isso faz com que a gente tenha uma perspectiva de uma entressafra longa, pela antecipação do término da safra atual e um retardamento do início da próxima safra 2022/2023. Está faltando chuva e conscientização. Falta as pessoas entenderem que essa queimadas trazem um dano para a sociedade como um todo, porque elas acabam tendo um impacto negativo a saúde também.”

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