Os preços do açúcar encerraram a segunda-feira em queda diante de sinais de um superávit global maior do que o inicialmente esperado para a safra 2025/26. O contrato de açúcar bruto com vencimento em março caiu 0,05 centavo de dólar, ou 0,3%, para 14,84 centavos de dólar por libra-peso. Por sua vez, o contrato mais ativo de açúcar branco recuou 0,6%, para US$ 423,40 por tonelada.
A avaliação mais recente da Covrig Analytics elevou a projeção de excedente mundial para 4,7 milhões de toneladas, acima das 4,1 milhões de t estimadas em outubro, reforçando a percepção de um mercado mais ofertado no curto prazo.
Apesar do viés baixista, as perdas foram parcialmente limitadas pela perspectiva de aperto no balanço global mais adiante. Segundo a Covrig, o superávit mundial em 2026/27 deve recuar para 1,4 MMT, à medida que preços mais baixos desestimulem a produção em diversos países.
Outro fator que trouxe algum suporte às cotações foi a expectativa de compras técnicas associadas ao rebalanceamento anual dos principais índices de commodities. De acordo com o Citigroup, os índices BCOM e S&P GSCI — os dois maiores do mercado — devem registrar entradas de US$ 1,2 bilhão em contratos futuros de açúcar nesta semana, movimento que tende a gerar demanda adicional no curto prazo.
Brasil: oferta futura menor sustenta viés altista
Na avaliação de analistas, o cenário de redução da oferta brasileira a partir de 2026/27 atua como um importante contraponto ao excesso global projetado para 2025/26. A consultoria Safras & Mercado informou em 23 de dezembro que a produção de açúcar do Brasil na safra 2026/27 deve cair 3,91%, passando de 43,5 milhões de toneladas em 2025/26 para 41,8 milhões de toneladas.
No comércio exterior, a projeção também é de retração. A Safras & Mercado estima que as exportações brasileiras de açúcar em 2026/27 recuem 11% em relação ao ano anterior, para 30 milhões de toneladas, o que tende a reduzir a disponibilidade global no médio prazo.
Índia amplia produção e reduz uso para etanol
Em contrapartida, sinais de maior produção na Índia seguem exercendo pressão negativa sobre os preços internacionais. A India Sugar Mill Association (ISMA) informou em 1º de janeiro que a produção indiana de açúcar no período de 1º de outubro a 31 de dezembro da safra 2025/26 alcançou 11,90 milhões de toneladas, crescimento de 25% na comparação anual, frente às 9,54 milhões de toneladas registradas no mesmo período do ano anterior.
Além disso, em 11 de novembro, a ISMA revisou para cima sua estimativa de produção total da Índia em 2025/26, elevando o volume projetado para 31 milhões de toneladas, ante previsão anterior de 30 milhões, o que representa um avanço de 18,8% na comparação anual.
Outro ponto relevante foi a redução da projeção de açúcar destinado à produção de etanol no país. A entidade cortou a estimativa de 5 milhões para 3,4 milhões de toneladas, o que abre espaço para maiores volumes disponíveis para exportação. A Índia é atualmente o segundo maior produtor de açúcar do mundo, o que amplia o impacto dessas revisões sobre o balanço global.
O mercado segue, portanto, ancorado em uma dinâmica de curto prazo marcada por excesso de oferta, sobretudo em função da Índia, enquanto o Brasil desponta como um fator de ajuste estrutural mais adiante, com projeções de menor produção e exportação a partir de 2026/27. Entre esses dois vetores, o comportamento dos fundos e dos grandes índices de commodities adiciona um componente técnico que pode suavizar — ou intensificar — a volatilidade dos preços no curto prazo.
Com informações da Barchart