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XP projeta moagem de 623,2 milhões de toneladas no Centro-Sul em 2026/27 e vê pressão persistente sobre preços

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Relatório da XP aponta mais um ano de superávit global de açúcar, volatilidade do mix e riscos para o etanol com avanço do milho

Mesmo com sinais mais favoráveis para o desenvolvimento da cana no Centro-Sul, o ciclo 2026/27 deve seguir marcado por volatilidade do mix e pressão sobre os preços, em um ambiente ainda dominado por superávit global e incertezas sobre a demanda. A combinação entre uma safra brasileira maior na comparação anual e questionamentos persistentes sobre o ritmo de crescimento do consumo mundial continua alimentando um sentimento baixista no mercado.

Nesse contexto, os preços do açúcar seguem pressionados, com mais um ano de excedente global projetado para 2026/27. Embora exista um risco emergente de El Niño no Sudeste Asiático no segundo semestre, a avaliação é de que qualquer reação mais consistente das cotações tende a ser limitada pela capacidade ociosa de cristalização do Brasil e pela cota de exportação da Índia. Aos preços atuais, a expectativa é de que o Brasil priorize o etanol no início da safra, movimento que pode pressionar os preços rapidamente, em conjunto com a expansão da produção de etanol de milho. Com condições climáticas mais favoráveis, a oferta de cana se torna progressivamente mais previsível, enquanto o mix — com a indústria menos travada em açúcar — tende a se ajustar de forma mais ágil às variações de preços.

Essa leitura consta de relatório da XP Research, divulgado em 4 de fevereiro de 2026, assinado por Leonardo Alencar, Samuel Isaak, Pedro Fonseca e Regis Cardoso, no qual os analistas destacam que “os preços do açúcar seguem pressionados, com mais um ano de superávit global em 2026/27”.

Pelo lado da oferta, a XP estima que a moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul alcance 623,2 milhões de toneladas na safra 2026/27. O crescimento projetado é sustentado por uma alta de 3,1% na produtividade, apesar de uma redução de 0,6% na área colhida. Segundo o relatório, embora as chuvas de inverno tenham ficado abaixo da média, a safra entrou na fase de desenvolvimento em condições agronômicas mais favoráveis do que na temporada anterior, beneficiada por um cenário climático mais positivo no início do ano.

Açúcar: exportações elevadas e superávit global limitam reação de preços

Na avaliação da XP, o mercado de açúcar segue pressionado por um quadro global de excedentes, agravado por exportações brasileiras acima do esperado durante a entressafra. Para 2026/27, a expectativa é de manutenção do superávit global — ainda que menor do que o observado em 2025/26 —, com o Brasil exercendo papel central no balanço de oferta.

O relatório também aponta que a demanda global mais moderada, associada a mudanças no padrão de consumo, segue restringindo a recuperação dos preços. Há ainda menção ao risco de um evento de El Niño no Sudeste Asiático no segundo semestre, embora a XP avalie que qualquer reação mais expressiva das cotações tende a ser limitada pela capacidade ociosa de cristalização no Brasil e pelas restrições às exportações da Índia.

Nas estimativas consolidadas para 2026/27, a XP projeta mix de açúcar de 49,7% e produção de 42,1 milhões de toneladas. No balanço brasileiro de oferta e demanda, a projeção indica produção total de 45,48 milhões de toneladas, exportações de 35,64 milhões e estoques finais de 2,59 milhões de toneladas, reforçando a leitura de um mercado confortável do ponto de vista da oferta.

Etanol: entressafra firme, mas risco de queda no segundo trimestre de 2026

Para o etanol, a XP observa uma reação positiva dos preços durante a entressafra, mesmo com a dinâmica da gasolina ainda impondo limites ao mercado. No entanto, o relatório alerta para uma queda relevante no segundo trimestre de 2026, em função do forte mix alcooleiro no início da safra e do avanço contínuo da produção de etanol de milho.

Nesse contexto, a XP reforça que o mix entre açúcar e etanol permanece como a principal variável de incerteza para o ciclo 2026/27. Segundo os analistas, os preços do etanol tendem a convergir rapidamente para a paridade com o açúcar assim que a colheita ganhar ritmo, restringindo a margem de manobra das usinas.

Nas projeções da XP, a produção total de etanol em 2026/27 deve alcançar 37,7 milhões de metros cúbicos, sendo 26,7 milhões de m³ a partir da cana-de-açúcar e 10,9 milhões de m³ oriundos do milho, evidenciando o peso crescente do biocombustível produzido fora do setor canavieiro.

Natália Cherubin para RPAnews

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