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Etanol anidro é aposta de usinas

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O etanol anidro, que é misturado à gasolina, vem ganhando espaço na produção das usinas brasileiras. Nos três primeiros meses da safra 2021/22 de cana-de-açúcar, abril a junho, 35,54% do total fabricado no Centro-Sul foi anidro. E essa participação deve crescer, segundo o diretor Comercial da BP Bunge Bioenergia, Ricardo Busato Carvalho, em entrevista ao “Estadão”.

“Nossa inteligência de mercado prevê que, até o final da safra, quase 40% da produção de etanol no Centro-Sul seja anidro”, disse.

Os dados mostram que, nesta temporada, a fatia desse tipo de etanol no total produzido é a maior para o período desde 2017/18, quando o País ainda passava por uma mudança na política de preços da gasolina, que começava a ter reajustes mais frequentes, com base na paridade internacional.

Hoje, o anidro tem se mostrado mais vantajoso economicamente do que o hidratado – que é adicionado diretamente aos veículos, sem mistura. “Nesta safra o preço do anidro subiu muito”, afirma o consultor de açúcar e etanol da Stonex, Bruno Lima. “Em meados de maio, (a cotação) chegou a 14% acima do hidratado.”

Além disso, as usinas não querem pôr em risco a política que prevê a mistura de 27% do biocombustível na gasolina C – entidades representantes de distribuidoras pediram redução desse porcentual, alegando quebra de safra de cana-de-açúcar e o alto preço do biocombustível.

“Ninguém quer colocar isso em risco”, disse o diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio Padua Rodrigues. Ele lembra que o mercado de etanol anidro é regulado e já está contratado junto às distribuidoras.

O anidro costuma ser negociado em contratos anuais junto às distribuidoras. O hidratado, por outro lado, é vendido principalmente no mercado “spot”, ou à vista.

Ricardo Carvalho, da BP Bunge Bioenergia, vê o mercado capaz de atender a demanda por combustíveis. “Nenhum país do mundo pode mudar o mix como o Brasil, que também tem boa flexibilidade entre anidro e hidratado”, ressaltou.

A visão reflete a da maior parte do setor sucroenergético brasileiro, que considera pequena a chance de a oferta não atender à demanda. Alguns suspeitam que os pedidos das distribuidoras estejam mais relacionados a preço do que à disponibilidade.

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Episódio 23: O etanol de milho pode mudar o futuro das usinas brasileiras?

Episódio 22: Como as tecnologias e a IA impactam as operações agrícolas?

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