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Crise na Venezuela segura exportações do agronegócio do Brasil

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As dificuldades econômicas e políticas da Venezuela fazem com que o Brasil perca um bom parceiro na área de agronegócio.

A forte desaceleração econômica e a inflação prevista em 2.000% para este ano corroem o já reduzido poder econômico dos consumidores do país.

O ano de 2014 é um período a ser lembrado pelo agronegócio, quando conseguiu exportar produtos no valor de US$ 3 bilhões para os vizinhos.

Naquele ano, as exportações do primeiro trimestre somaram US$ 603 milhões apenas com produtos relacionados ao agronegócio. Neste ano, o valor é 86% menor, caindo para US$ 87 milhões.

A queda de renda no país vizinho afetou mais os setores de produtos de certa foram considerados supérfluos e mais caros.

Com isso, os venezuelanos pisaram no freio nas compras de carnes, de leite e derivados, de alimentos industrializados e até nas de cereais provenientes do Brasil.

Em compensação, elevaram as compras de açúcar, que atingiram US$ 30,1 milhões no trimestre, 74% mais do que a média de igual período dos quatro anos anteriores.

Em 2014, o período de ouro das exportações brasileiras para a Venezuela, as carnes e os animais vivos lideravam o comércio entre os dois países. Renderam US$ 578 milhões no primeiro trimestre. Neste ano, ficaram em apenas US$ 31 milhões.

Um setor brasileiro que sente muito a ausência da Venezuela é o de gado vivo. Líder em receitas em 2014, as exportações de animais em pé caíram drasticamente neste ano, somando apenas US$ 1,4 milhão de janeiro a março deste ano.

Perdendo mercado

Os exportadores brasileiros de gado em pé perderam mercado não só na Venezuela como sentem a forte concorrência da União Europeia em países importadores tradicionais do Brasil, como Líbano, Turquia e Egito.

As exportações europeias, que já haviam subido em 2015, se elevaram ainda mais em 2016. Dados da Comissão de Agricultura do bloco indicam alta de 23% no período.

Buscando o mercado de países no Mediterrâneo, os europeus conseguiram acentuar as exportações no Líbano, em Israel e no Líbano. Apenas para esses três países, as exportações somaram 653 mil cabeças de gado no ano passado.

Um dos objetivos dos exportadores da União Europeia agora é avançar nos mercados da Argélia e Egito.

Com o real mais forte e ainda com problemas de embarques, os brasileiros perderam competitividade nesses países.

Mais açúcar – A safra 2017/18 da região centro-sul será ainda mais açucareira do que a de 2016/17, segundo estimativas de Julio Maria Borges, diretor da JOB Economia e Planejamento Ltda.

Produção – A moagem total de cana recua para 593 milhões de toneladas na região, mas a produção de açúcar sobe para 36,6 milhões de toneladas, 3,7% mais do que na anterior.

Etanol – A produção desta safra 2017/18 recua para 24,2 bilhões de litros, após ter atingido 25,4 bilhões no ano passado, segundo Borges. O maior volume será de álcool hidratado, que somará 13,3 bilhões de litros.

Nordeste – Já a moagem de cana-de-açúcar cresce para 50,7 milhões de toneladas nas regiões Norte e Nordeste, uma evolução de 3,5%. A produção de açúcar sobe para 3,4 milhões de toneladas e a de etanol, para 1,7 bilhão de litros.

*Texto publicado na coluna ´Vaivém das Commodities´

 

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