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Agronegócio brasileiro ganha espaço na Turquia – mas mercado para o açúcar cai

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Exportações sobem 183%, com destaque para soja, enquanto receita com adoçante de cana-de-açúcar teve queda de mais de 15%.

País que tem vivido forte turbulência financeira nos últimos dias, a Turquia se tornou um mercado interessante para o agronegócio do Brasil. As exportações brasileiras do setor para os turcos somaram US$ 806 milhões até julho, 183% mais do que em igual período do ano anterior. Mas, ao contrário do que ocorre com soja e carnes, os mercados de café e de açúcar encolhem. As receitas obtidas pelo Brasil com as exportações de café em grãos para a Turquia recuaram para US$ 70 milhões neste ano, 22% menos do que de janeiro a julho de 2017. Já as exportações de açúcar caíram para US$ 1,4 milhão até julho, ante US$ 1,67 milhão em igual período do ano passado.

Antonio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) diz que a queda é normal. O preço baixo do açúcar no mercado externo faz as usinas destinarem um volume maior de cana para o etanol. A tendência de queda de vendas não ocorre apenas com a Turquia, diz Rodrigues. Nos sete primeiros meses do ano, as receitas totais com açúcar do país recuaram 43%, para US$ 3,75 bilhões.
Além disso, de acordo com ele, é difícil para países como Brasil e Austrália concorrerem com preços subsidiados como os da Índia, principalmente porque há um excesso mundial de produção.

Outros produtos
Até julho do ano passado, 32% das exportações totais do Brasil para a Turquia se referiam ao agronegócio. Neste ano, o percentual está em 52%.
No topo da lista estão soja, gado em pé (vivo), café e carnes. A liderança fica com a soja, que já rendeu US$ 464 milhões neste ano, 342% acima de toda a receita de 2017.

A evolução do mercado turco é muito importante para a soja brasileira, segundo Daniel Furlan, da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais). É mais um ponto de diversificação das exportações, segundo ele. A Turquia deverá manter a tendência de crescimento de compras de soja. As estimativas para este ano são de 2,6 milhões de toneladas. Há uma década, as importações se limitavam a 1 milhão de toneladas.
Produção pequena, devido à competição de área com milho e trigo, e aumento da demanda interna levam a Turquia a incrementar as compras externas da oleaginosa.

Um dos motivos da aceleração das compras é o aumento do consumo de farelo de soja, destinado às granjas de aves. O foco turco na produção interna de carne de frango, portanto, inibe as importações nesse setor, inclusive as do Brasil, líder mundial. A Turquia não tem grande importância na compra de carnes de aves brasileiras. A ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) a classifica como mercado intermediário.

Já o de carne bovina é muito importante. Com restrições às importações de carnes desossadas, o país tem aumentado as compras de boi em pé.
Nos primeiros sete meses deste ano, os turcos gastaram US$ 241 milhões no Brasil com a importação de gado vivo. A indústria de carne crê que os turcos estejam próximos de abertura maior também para a carne desossada.

No início do ano, a Turquia acenou uma maior abertura à carne brasileira. Em setembro, uma missão brasileira vai ao país para novas negociações.
Antonio Camardelli, presidente da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne), diz acreditar que “a necessidade [de carne], a diferença cambial e o grande custo interno de manter o mercado restrito vão facilitar as negociações”. O saldo do agronegócio é bastante favorável ao Brasil. As importações vindas da Turquia somam apenas US$ 30,1 milhões neste ano. Na lista, constam avelãs, damascos, uvas e batatas preparadas.

Uma crise mais profunda na Turquia, no entanto, poderá inibir novos avanços do agronegócio brasileiro no país.

Fonte: O Estado de São Paulo

 

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