Os preços internacionais do açúcar encerraram a sexta-feira com comportamento misto nas bolsas, pressionados pela valorização do dólar e pelas projeções de superávit global para as próximas safras. O contrato do açúcar bruto com vencimento em maio fechou praticamente estável, a 14,37 centavos de dólar por libra-peso, acumulando queda de 1,9% na semana, enquanto o açúcar branco mais ativo registrou leve alta de 0,2%, a US$ 415 por tonelada.
Segundo analistas do mercado internacional, a valorização do índice do dólar, que atingiu o maior nível em cerca de três meses e meio, reduziu a competitividade das commodities negociadas na moeda norte-americana e limitou o avanço das cotações do açúcar.
Ainda assim, as perdas foram parcialmente contidas por expectativas relacionadas ao mercado de energia. A recente alta do petróleo, que atingiu o nível mais elevado em cerca de três anos e nove meses, alimenta especulações de que o Brasil possa elevar os preços domésticos da gasolina. Caso isso ocorra, usinas brasileiras poderiam direcionar uma parcela maior da cana para produção de etanol, reduzindo a oferta de açúcar no mercado internacional.
Apesar desse fator de suporte, o cenário estrutural do mercado continua pressionado pelas projeções de excedente global.
Analistas da trading Czarnikow afirmaram em relatório divulgado em fevereiro que o mercado global deve registrar superávit de 3,4 milhões de toneladas na safra 2026/27, após um excedente ainda maior estimado em 8,3 milhões de toneladas em 2025/26.
Outras consultorias também apontam para balanços positivos. A Green Pool Commodity Specialists projeta um superávit de 2,74 milhões de toneladas na safra 2025/26 e um excedente menor, de 156 mil toneladas, no ciclo 2026/27. Já a StoneX estima um superávit global de 2,9 milhões de toneladas em 2025/26.
A International Sugar Organization (ISO) também revisou suas projeções e indicou, em relatório divulgado no fim de fevereiro, que o mercado global deve registrar superávit de 1,22 milhão de toneladas em 2025/26, após um déficit de 3,46 milhões de toneladas na safra 2024/25. De acordo com a entidade, o resultado positivo deverá ser impulsionado principalmente pelo aumento da produção em Índia, Tailândia e Paquistão.
A ISO estima ainda que a produção global de açúcar deve crescer 3% na comparação anual, alcançando 181,3 milhões de toneladas na safra 2025/26.
Por outro lado, sinais de menor produção no Brasil têm oferecido algum suporte aos preços. Dados divulgados pela Unica indicam que a produção de açúcar na região Centro-Sul do Brasil na segunda metade de janeiro caiu 36% na comparação anual, totalizando apenas 5 mil toneladas no período.
Apesar da forte retração pontual, a produção acumulada de açúcar do Centro-Sul na safra 2025/26 até o final de janeiro ainda registra alta de 0,9%, atingindo 40,24 milhões de toneladas.
