A Sumitomo Corporation do Brasil e a Cemvita anunciaram nesta quarta-feira, 18, a assinatura de um memorando de entendimento para colaboração em projetos integrados de biometano e bio-óleo renovável no Brasil. De acordo com as companhias, a parceria tem como foco acelerar a implantação de combustíveis de baixo carbono, derivados de resíduos, e fortalecer a posição do Brasil como um polo global da bioeconomia circular.
Conforme o memorando, as empresas avaliarão conjuntamente a integração da tecnologia de bio-óleo renovável da Cemvita com a produção de biometano em uma unidade inicial no Brasil. A colaboração avaliará aproximadamente cinco matérias-primas, entre resíduos e subprodutos, observando a eficiência de carbono, as sinergias operacionais e a viabilidade econômica do projeto.
As partes também devem explorar oportunidades para expandir esse modelo integrado para outras instalações e projetos identificados por ambas as organizações. “Essa parceria reflete nossa visão sobre o futuro da bioenergia, não como projetos de produto único, mas como sistemas integrados”, disse o CEO da Cemvita, Moji Karimi.
“Ao combinar a plataforma de biotecnologia da Cemvita com a infraestrutura global e o acesso ao mercado da Sumitomo, podemos obter resultados de maior valor agregado e menor emissão de carbono a partir de fluxos de resíduos e acelerar a comercialização no Brasil”, disse.
Por sua vez, o diretor sênior da Sumitomo Corporation do Brasil, Takamasa Ueda, afirma que o gás natural renovável é uma das commodities estratégicas nas quais a companhia está focada globalmente. Segundo ele, a Sumotomo vê o Brasil como um “local crucial” para o fornecimento de biocombustíveis a longo prazo.
“Integrar a tecnologia de bio-óleo da Cemvita com projetos de gás renovável cria fortes sinergias operacionais e econômicas. Isso nos permite aumentar o fornecimento de bio-óleo à base de resíduos para combustível de aviação sustentável, enquanto produzimos GNR em paralelo”, afirma e segue: “Esse tipo de abordagem integrada é essencial para superar a complexidade dos projetos de biocombustíveis e escalá-los de forma responsável”.
Já o diretor da iniciativa de inovação energética da Sumitomo Corporation do Brasil, João Simões, enfatiza que o país é uma “potência do agronegócio”. Para ele, o Brasil é um dos maiores geradores de resíduos agroalimentares do mundo, que podem resultar em danos ambientais e aumento dos custos de descarte se não forem devidamente aproveitados.
“Ao integrar a produção de bio-óleo, precursor do SAF (sigla em inglês para combustível de aviação sustentável), e de biogás na mesma biorrefinaria, poderemos melhorar a viabilidade econômica de ambos os produtos, resultando em benefícios tanto para os geradores de resíduos quanto para os consumidores”, completa.
Segundo as empresas, a parceria será regida por um comitê diretivo conjunto, responsável pela supervisão, pelo acompanhamento de marcos e pela gestão de riscos. Os principais resultados devem incluir um roteiro comercial e técnico com previsão de execução em 2026 e um relatório final de avaliação integrada.

