Mercado segue atento aos riscos climáticos associados ao El Niño, que podem comprometer a produção do segundo maior produtor mundial da commodity
Os preços do açúcar encerraram a segunda-feira em alta nas bolsas internacionais, sustentados pelas preocupações com o regime de monções na Índia e pelos possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre a produção global da commodity.
Em Nova York, o contrato julho do açúcar bruto fechou com alta de 0,39 centavo de dólar por libra-peso, ou 2,77%, encerrando a 14,45 cents/lb. Em Londres, o contrato agosto do açúcar branco avançou US$ 8,70 por tonelada, ou 1,99%, fechando a US$ 446,90 por tonelada.
Segundo análise da Barchart, o mercado segue reagindo aos temores de que o desenvolvimento do El Niño resulte em
uma temporada de monções mais fraca na Índia, o segundo maior produtor mundial de açúcar. A preocupação ganhou força após o departamento meteorológico indiano reduzir sua previsão de chuvas para o período entre junho e setembro para 90% da média histórica, abaixo da estimativa de 92% divulgada anteriormente.
A situação também é acompanhada de perto por autoridades e analistas internacionais. Recentemente, a Índia alertou que a temporada de monções poderá ser a mais fraca dos últimos 11 anos, cenário associado ao avanço do El Niño e que pode afetar significativamente a agricultura do país.
Apesar do suporte climático, o mercado segue monitorando as perspectivas de oferta global. A Barchart destaca que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta produção mundial recorde de açúcar em 2025/26, estimada em 189,3 milhões de toneladas, alta de 4,6% na comparação anual. O consumo global também deve atingir um recorde de 177,9 milhões de toneladas.
O USDA prevê ainda produção recorde de 44,7 milhões de toneladas no Brasil em 2025/26, crescimento de 2,3% em relação ao ciclo anterior. Para a Índia, a expectativa é de aumento de 25% na produção, alcançando 35,25 milhões de toneladas, enquanto a Tailândia deverá produzir 10,25 milhões de toneladas, avanço de 2%.
Outro fator acompanhado pelo mercado é a política comercial indiana. O governo do país proibiu as exportações de açúcar até 30 de setembro de 2026 como forma de conter a alta dos preços domésticos e garantir o abastecimento interno. A medida foi adotada diante da expectativa de produção inferior ao consumo pelo segundo ano consecutivo e das preocupações relacionadas ao clima.
Além disso, projeções da Organização Internacional do Açúcar (ISO) apontam que a produção mundial poderá recuar 1,15% em 2026/27, para cerca de 180 milhões de toneladas, com déficit global de aproximadamente 262 mil toneladas, também em função dos potenciais impactos do El Niño sobre Índia e Tailândia.
Dessa forma, os preços continuam encontrando suporte nas preocupações climáticas na Ásia, enquanto o mercado busca equilibrar os riscos para a oferta futura com as expectativas de ampla disponibilidade de açúcar no curto prazo.
Com informações da Barchart
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